PCP em defesa dos Estaleiros Navais do Mondego. Autarquia rejeita culpas imputadas pela Concelhia "à revelia dos trabalhadores"

A Comissão Concelhia da Figueira da Foz do Partido Comunista Português, em comunicado, dá conta da “presente situação de insolvência” dos antigos Estaleiros Navais do Mondego, hoje denominados Atlantic Eagle Shipbuilding.
A estrutura critica um governo central “totalmente de costas voltadas para o desenvolvimento e apoio à indústria tradicional portuguesa”, “uma administração portuária que tem sido também um «garrote» ao desenvolvimento” e “uma autarquia mais interessada em projectos de desenvolvimento urbanístico na margem sul”.


No texto lê-se que os estaleiros “continuam a debater-se com os velhos problemas da crónica falta de apoio a esta indústria” sendo que “a presente situação de insolvência desta unidade tem vários responsáveis sentados em diversas cadeiras do poder”:
• “Em primeiro lugar, no Governo Central e nos respectivos ministérios do sector, totalmente de costas voltadas para o desenvolvimento e apoio à indústria tradicional portuguesa que, no caso concreto, apesar dos compromissos assumidos para com um país amigo, que acreditou na capacidade industrial do nosso país e na sua boa fé, se vê agora defraudado, ficando em causa não apenas as futuras encomendas, mas, e principalmente, a credibilidade do Estado Português”.
• “Em segundo lugar, uma administração portuária que tem sido também um “garrote” ao desenvolvimento de uma empresa que procura afirmar-se nesta actividade, mas que se vê confrontada com rendas mensais na ordem dos 30.000 euros”.
• “Em terceiro lugar, uma autarquia que, mais interessada em projectos de desenvolvimento urbanístico na margem sul, nunca sentiu que os estaleiros navais foram e poderão continuar a ser marca capaz de projectar a Figueira da Foz, tal como aconteceu no passado recente, quer no país, quer no estrangeiro, e que deverá ser defendida como uma indústria «âncora» para a fixação e desenvolvimento de centenas de postos de trabalho, com potencialidade de desenvolvimento, inovação e investigação tecnológica nesta área”.

Para o PCP figueirense, “esta situação não pode continuar. É necessária uma solução sustentável que assegure a manutenção desta indústria, vital para a cidade, para a região e para o país”, garantindo que “há soluções, bastando para as encontrar a coragem para cumprir as sempre anunciadas políticas de apoio à actividade económica, mas que se afigura bastante selectiva quanto aos destinatários”.

Autarquia declina responsabilidades

A autarquia figueirense, através do Gabinete da Presidência, faz saber que “esteve desde sempre em estreita colaboração com a CGTP, na defesa dos postos de trabalho dos Estaleiros Navais. Conseguimos, numa colaboração tripartida entre a autarquia, o Sindicato e a Comissão Liquidatária, expurgar uma empresa insolvente, permitindo dessa forma o acesso a uma nova indústria naval”.
Num comunicado, o município salienta que “lamentavelmente, voltámos a um ponto de ruptura, confrontando-nos agora com um novo processo de insolvência. Também aqui, e mais uma vez em estreita colaboração com a Comissão de Trabalhadores e a CGTP, tentámos viabilizar uma solução financeira para os estaleiros navais, tendo como prioridade assegurar a manutenção dos postos de trabalho e honrar os serviços internacionais com a República de Timor”.
Exolica ainda o Gabinete que “após a reunião com o Sindicato e uma vez delineada uma estratégia de actuação concertada, promovemos e levámos a cabo reuniões com a Comissão de Trabalhadores, os responsáveis creditícios e o Governo. Apresentámos uma solução que só poderia ser accionada pelos credores, a quem demos nota da necessidade de ser levada a cabo uma acção proactiva, fundamental e indispensável para o bom desfecho da empresa e dos compromissos assumidos”.
“Estranhamos que o PCP, à revelia dos trabalhadores, nos impute responsabilidades que comprovadamente declinamos, acrescentando que não há, nem nunca houve por parte deste executivo, a intenção de urbanizar massivamente o espaço, com a plena consciência de que tudo fizemos e continuaremos a fazer para que a investigação científica e tecnológica se concretize neste concelho através do Marefoz”, salienta ainda a Câmara Municipal presidida por João Ataíde.

COMENTÁRIOS

ou registe-se gratuitamente para comentar.
Critérios de publicação
Caracteres restantes: 500

mais

QUEM SOMOS

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.

CONTACTOS

967 249 166 (redacção)

geral@figueiranahora.com

design by ID PORTUGAL