A BANDEIRA DA DÍVIDA!

De quando em quando, à falta de assunto, lá vem o executivo camarário relembrar e dar nota da redução da dívida do Município.
Recentemente, na sequência do anúncio público da suspensão do Plano de Saneamento Financeiro, fomos brindados com mais uma entrevista da praxe, num diário regional, em face duma iniciativa de cariz meramente burocrático, sem contributo directo no alijamento do encargo financeiro, embora, verdade seja dita, a sua implementação acontece porque existe, efectivamente, uma substancial redução no endividamento, facto, pelo qual, nos congratulamos e reconhecemo-lo publicamente.
Importa, contudo, relembrar e, fá-lo-emos as vezes que se mostrem necessárias, mau grado o processo propagandístico em curso, que o reequilíbrio das contas locais não partiu dum acto voluntário do actual presidente da Câmara Municipal, como vem sendo propagado ao longo destes quase nove anos de governação, mas antes, resulta duma imposição da administração central, numa operação que atingiu um vastíssimo número de municípios, todos eles, também a contas com um forte endividamento na primeira década deste século.
Aliás, basta rever o programa eleitoral apresentado pela candidatura do PS naquelas eleições autárquicas de 2009 e facilmente se verifica a ausência de medidas concretas em prol do reequilíbrio das contas do Município, bem pelo contrário, constatando-se, isso sim, uma panóplia de promessas (a grande maioria por cumprir até hoje), entre elas, o megalómano projecto da Aldeia do Mar.
O combate ao endividamento desta e outras autarquias surgiu pois, por imposição dum circunstancialismo politico nacional, sendo que, no nosso concelho, a eleger-se um protagonista para todo este processo, esse recai sobre a comunidade residente, a qual, ao longo destes tempos têm resistido e sobrevivido debaixo dum evidente quadro de regressão social e económica do município, conduzido por uma gestão camarária incapaz e mal preparada, sem politicas concretas para a captação de novos investimentos, subjugada a um Plano de Saneamento Financeiro reconhecidamente desajustado da realidade – “(…) julgo que poucas câmaras estão a pagar um montante tão elevado num período tão curto de tempo(…) – presidente CMFF in diário das beiras 6-07-2018 -.
A grande questão é mesmo essa: outros concelhos, e são muitos aqueles que passaram pelas mesmas dificuldades de ordem financeira, não só têm conseguido debelar o referido endividamento, como continuam a assegurar e possuir meios para manterem níveis sustentados de crescimento.
Por cá, é evidente a manifesta inabilidade dos nossos governantes em conseguirem hastear a bandeira do desenvolvimento e, em alternativa, habilmente, procuram empunhar uma outra bandeira, a da dívida, a qual, tem servido para justificar tudo aquilo que não é feito e também para se auto-intitularem como os grandes salvadores das contas municipais (onde já vimos isto…?).

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