Com a Figueira da Foz, com os Figueirenses.

A Catarina ralhou com o marido!

Vou contar-vos uma história que não é uma daquelas histórias de encantar criancinhas. Não! Esta é uma história verdadeira, é uma história de adultos e para adultos..., é uma história real!
"Catarina" pode ser um nome fictício para milhões e milhões de personagens reais e "marido" é um estatuto verdadeiro para outros tantos milhões e milhões de personagens igualmente reais. Ambas são personagens reais, estereotipadas, milhões e milhões de vezes repetidas que representam muitos casais existentes por todo o mundo. Portanto!, é ponto assente!, vou contar-vos uma história real acerca de milhões e milhões de casais reais.
A Catarina e o marido formam um casal bem "sucedido". Eles já ultrapassaram a meia idade e, com consciência, caminham para o restante terço que julgam ainda ter para viver.
Catarina e o marido, tal como milhões e milhões de outros casais, caíram na armadilha do ramerrame da vida, caíram no ramerrame do dia-a-dia, caíram no ramerrame do hoje igual a ontem e do amanha igual a hoje, caíram no ramerrame da segunda-feira repetida na terça, na quarta, na quinta e na sexta-feira e dos fim-de-semana sem fim, repetidos indefinidamente!
Eles estão de tal maneira cegos pela rotina que não conseguem ver a diferença de cada amanhecer, nem conseguem ver o diferente "ardor" do sol em cada despedida. Eles, tal como milhões e milhões de outros casais, não conseguem aperceber-se que na vida nada se repete. Eles não conseguem aperceber-se que nada se repete e que nem mesmo os enganadores minutos, sempre com apenas sessenta segundos, não se repetem. Eles não conseguem aperceber-se que na vida, cada instante é novo e único!
Catarina e o marido têm sido muito felizes, por bem, e sem se aperceberem, eles têm sido poupados aos grandes e inesperados dissabores da vida! Nunca a vida lhes pregou um daqueles "sopapos" valentes! Eles, como milhões e milhões de outras Catarinas e maridos, têm um baú cheio de boas memórias que, por falta de tempo, nunca abrem. Por falta de tempo, milhões e milhões de Catarinas e os respectivos maridos nunca remexem nesse baú. Por falta de tempo e por causa do cansaço acumulado no dia-a-dia, a Catarina e o marido, há muitos anos que não vêm, não olham direito, não olham nos olhos com olhos de ver, não olham com olhos de olhar para dentro dos olhos um do outro, não vasculham a alma do outro, não auscultam os medos, os receios e as dúvidas humanamente inultrapassáveis do outro ser humano que também é o seu consorte. Sem se aperceberem deram por adquirido que os olhos de um e do outro estarão sempre ali. Como tantos milhões e milhões de outras Catarinas e maridos, eles estão profundamente enganados, pois, um dia...
Ambos, Catarina e marido, sabem apenas que o amor profundo, verdadeiro e adormecido que continua a existir entre eles os mantem unidos. Acontece o mesmo com tantos e tantos outros milhões e milhões de casais de Catarinas e maridos que caíram na ratoeira do ramerrame!
Os maridos, estas personagens milhões e milhões de vezes repetidas na vida das milhões e milhões das outras Catarinas, ganham "conforto" nos desabafos que têm com outros maridos e, todos em comum se queixam desalentadamente daquilo que lhes aconteceu com as suas "Catarinas": queixam-se daqueles frustrantes "hoje não..."; "hoje dói-me a cabeça!"; "hoje estou muito cansada..." que de tantas e tantas vezes repetidos, matou o desejo e queimou a paixão... ; queixam-se do repetido: "vai tu que eu fico a arrumar a casa..."; queixam-se enfim de todas as insignificâncias que acabaram por se tornar tão significantes... Hoje, todos eles "abafam" as tristezas no "vinho aberto"; "abafam" as tristezas em "suecadas" sem suecas; "abafam" as tristezas em "tiros" e "estampidos" que nada importam quando falham o alvo, porque o que importa não são os "gritos" dados com a arma. O "grito" é deles, é da alma deles e não da arma, da arma é apenas o "estampido" da descompressão que liberta o chumbo errante...das vidas vividas separadamente em união, das vidas vividas de costas voltadas para as costas, das vidas preenchidas com silêncios que por nada dizerem, dizem tanto...dizem demasiadas perdas...
Mas..., mas a vida da Catarina e do marido têm também outras maravilhas e milagres de vida que lhes diz todos os dias: -« Bom dia mamã! Bom dia papá!». Milagre de vida que lhes enche as almas de alegria e sentido...
Mas..., mas a Catarina e o marido também têm em casa um "anjinho" de quatro patas que no caso deles é um cão, podia ser um gato, um cabritinho ou outro qualquer animal. Esse anjinho, passa sozinho, numa profunda tristeza, dias e dias fechado em casa à espera dos seus amores humanos. Quando eles chegam, acaba a sua tristeza. Ainda vêm longe o carro ou a motorizada dos seus amores humanos e já ele salta e late perdidamente de alegria junto do portão. Quando um deles chega, é indisfarçável a alegria, a gratidão, o prazer e a verdadeira felicidade com que os recebe! A partir daquele momento, o "anjinho" faz um "resert" das horas de tristeza e angústia que passou. Ele vive no presente, desconhece o tempo passado e o tempo futuro, ele ama no agora e não perde pitada do presente!
No dia em que a Catarina ralhou, -com alguma razão-, com o marido, digo com alguma razão, porque como verão, ela também deveria ter ralhado consigo própria..., dizia, nesse dia, a Catarina depois do seu turno normal de trabalho no seu emprego, tornou a casa e retomou o seu segundo turno de trabalho daquele dia, retomou o seu ramerrame, mas agora em casa, onde começou a preparar o jantar e o almoço do dia seguinte. Nesse instante, ela soube que o marido estava para chegar, porque o "anjinho" não parava de saltar e de ganir com alegria junto do portão. Ele repetia exactamente a mesma festa que fizera quando ela chegara a casa. Nem mais nem menos! Era exactamente a mesma festa e a mesma descontrolada alegria, dava exactamente a mesma prova de amor incondicional.
Da janela da sua cozinha, da janela que dava para o pátio, Catarina assistia ao reencontro do marido com o seu anjinho de quatro patas. Eles executavam um bailado de alegria, era uma festa com festas, eram pulos, latidos, lambidelas, abraços e ganidos felizes, era ele -marido- que com um joelho no chão descia à altura do cão, era..., era maravilhoso de se ver... enquanto os minutos passavam durante este efusivo reencontro após pouco menos de duas meias dúzias de horas de separação...
Por fim o marido entrou em casa e, reencontrou na cozinha, a Catarina após as mesmas pouco menos de duas meias dúzias de horas de separação... Com o olhar perdido numa distância que passava muito para além dela, disse-lhe: «Olá!»
Catarina que não é caçadora, Catarina para quem a arma não faz parte das suas "fugas", para quem a arma não faz parte dos seus "escapes", estoirou, soaram estampidos de gritos, disparou cartuchos de chumbos "mortalmente" certeiros: "Olá!"; "Olá!" é esse o teu cumprimento?; É essa a tua festa sem uma única festa?; É essa a alegria que demonstras pelo nosso reencontro? -perguntou cega de desespero.
Catarina tinha razão sem ter razão e ambos sem terem razão tinham razão na razão que não tinham. É tão triste constactar que vivem sem razão os milhões e milhões de Catarinas e seus maridos que amando-se ainda, perderam a razão da razão das suas vidas por causa do ramerrame desta vida que relega para o baú das memórias a razão do amor que os une e que dá razão e sentido à razão da vida! Eles, sem qualquer razão que se explique com razão, nunca vão razoavelmente juntos, ao baú das suas memórias para com a devida razão darem razão à razão das suas vidas, para darem razão à razão do seu viver...
Os milhões e milhões de Catarinas e os milhões e milhões de maridos do mundo, têm nos seus "anjinhos animais", anjos professores que dia após dia, que minuto após minuto os ensinam a amar, os ensinam a festejar o momento do reencontro e o tempo que passam juntos. Que os ensinam a viver juntos em festa e com festas, que os chamam com razão para a razão da vida...
DESUMANIZEM-SE!
ANIMALIZEM-SE!
DESUMANIZEM-SE e, por favor, ANIMALIZEM-SE!
Aprendam a ser felizes como os vossos animais que se sentem felizes, apenas, por estarem junto daqueles que amam!
Vivam apenas o presente e, vivam, vivam o momento, tal como o vivem os vossos "anjinhos animais"!
Catarinas e maridos, rebusquem, frequentemente, juntos, juntinhos, sentadinhos ao lado um do outro, o maravilhoso baú das memórias da razão com razão na razão das vossa vidas!
Os animais, esses anjinhos têm razão!
ANIMALIZEM-SE CATARINA E MARIDOS!!!

* Este texto, foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

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