A nossa Notre-Dame indestrutível

Muitos terão visto, como eu vi, o Quasimodo desesperado no meio das chamas da Notre-Dame de Paris. Ele andava de um lado para o outro, andava desesperado no meio daquelas chamas que tentavam consumir muito mais do que a belíssima catedral de Paris.
O Quasimodo no seu desespero, lutava por salvar não só a sua valiosa Esmeralda, mas também as outras esmeraldas das muitas outras muito valiosas esmeraldas da Europa.
Essas esmeraldas reluzem com um esplendor tal, que as chamas de nenhum fogo vil e inútil podem devastar.
Aquele fogo mau, cobarde e traiçoeiro, apenas devastou as talhas douradas de glórias imemoriais e “escombrou” torres de pedra construídas pela vontade de séculos de respeito e de conservação civilizacional, mas nenhum fogo pode destruir estas esmeraldas. Elas são indestrutíveis.
Para além da sua Esmeralda, Quasimodo lutava desesperadamente para salvar, entre tantas outras, a esmeralda da liberdade, a da igualdade, a da legalidade, a da cultura, a do respeito e da consideração pela mulher livre e, outras tantas esmeraldas que são valiosíssimas pedras-de-toque da livre e rica civilização ocidental.
Essas esmeraldas não são destruíveis pelo fogo, porque estão guardadas nos corações de milhões de “quasímodos” europeus e estão encarnadas nos corações de outros tantos milhões de Esmeraldas europeias.
Aquelas talhas em cinza transformadas e, aquelas pedras “escombradas” no grande farol da liberdade e da igualdade que é Paris na Europa, e que tanto incomoda o negrume das trevas e da opressão no mundo, dizia eu, aquelas talhas e aquelas pedras, são cinzas da Fénix da Liberdade que não morre, que nunca morre, que nunca, mesmo nunca morre, e que sempre renasce nesta Europa e, as outras muitas, as Esmeraldas de carne e osso e as esmeraldas de ideais e de sonhos de liberdade e igualdade são filhas legítimas paridas das cinzas da Fénix eternamente renascida e com a cabeça coroada com as eternas esmeraldas, essas sim, de pedras reluzentes pelas riquezas que a Europa produz e sempre produziu.
Quando o meu coração ardia naquele incêndio, percorreu-me um sopro de ânimo, que varreu aquela tristeza que queria apoderar-se de mim, enquanto eu olhava, impotente, para aquelas malvadas chamas. Esse sopro dizia-me repetidamente que não ardia a Notre-Dame; que Paris ainda não estava a arder, e que nunca viria a arder; que Quasimodo sobreviveu, bem como a sua Esmeralda e também todas as outras esmeraldas; que todas elas refulgem, -ainda com mais desejoso brilho-, na Europa livre, nesta Europa da igualdade e da liberdade muito rica.
Vamos arregaçar as mangas, vamos combater até extinguirmos o perigoso e impiedoso fogo do obscurantismo e, vamos reconstruir pedra sobre pedra, talha por talha, sonho por sonho, ideal por ideal, Esmeralda a esmeralda, esta nossa querida, muito querida, Notre-Dame, morada de Esmeraldas e mais esmeraldas…, todas, todas, todas muito valiosas e indestrutíveis.

* Este texto, foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

 

 

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