ACTIVISTAS

O activismo político é uma forma de intervir contra determinada situação alegadamente desfavorável a uma comunidade, onde é privilegiada a acção directa através de meios pacíficos ou violentos, que vão desde o recurso à escrita, passando por manifestações públicas até outro tipo de actuações mais ou menos musculadas.
A História ensina-nos que os movimentos activistas tendem afirmar-se quanto mais autocrático se mostre o regime político visado.
Pelo contrário, funcionando a democracia na sua plenitude, com a coexistência duma pluralidade de opiniões e de partidos políticos credíveis, coerentes com a sua linha programática, esses mesmos movimentos activistas esvaziam-se de conteúdo por força do trabalho garantido pelas forças partidárias legitimamente sufragadas.
Hoje em dia, porém, mesmo nos regimes democraticamente consolidados, assiste-se ao recrudescimento dos movimentos activistas, o que se explica, em parte, devido, a um evidente desgaste do sistema, muito por culpa de comportamentos menos assumidos por auto intitulados democratas que depois de chegados ao poder esquecem-se dos princípios basilares da democracia.
Actualmente, por mais que nos custe aceitar, o político tradicional, regra geral, militante dum partido, goza de diminuta popularidade, sendo constantemente objecto de desconfiança por parte do eleitorado, acusado de oportunismo, demagogia e de populismo, ao passo que o activista, porque desligado dos aparelhos partidários e do poder instituído, desfruta da visão romântica do rebelde, como alguém fora do sistema que aspira à mudança da sociedade nos seus costumes e práticas, movendo-se por paixões em busca dum futuro melhor.
No entanto, tal como é exigido pela comunidade junto do politico (tradicional), também o activista deve ser firme e coerente no seu discurso e acompanhá-lo até ao fim, sofrendo as consequências caso se mostre necessário!
Seja na política tradicional, seja no movimento activista, o descrédito resulta, precisamente, na contradição do discurso ou na falsa promessa.
Assim como é reprovável que um político eleito não assuma aquilo que defendeu no programa eleitoral, também não se afigura aceitável que um activista anuncie uma greve de fome e depois não a cumpra, ou prometa amarrar-se a uma árvore para evitar o seu abate e depois a deixe morrer sozinha, ou identifique-se como autor dum blog dito independente quando o mesmo serve de caixa-de-ressonância duma estrutura político-partidária.
Nada me move contra os movimentos activistas, bem pelo contrário, sempre me mostrei sensível a causas e, se já no longínquo ano de 1997 não pensei duas vezes em subscrever o abaixo-assinado do movimento que defendia a manutenção do Horto e a permanência do corredor verde da cidade, continuo até hoje solidário com muitos outros, entre eles, o mais recente movimento activista do nosso concelho, contrário à instalação duma estação de tratamento de resíduos a sul do Município, o qual, pela garra e empenho que vem sendo evidenciado pelos seus membros, acredito que não se fiquem por falsas promessas e não hesitarão em despejar uns camiões cheios de “esterco” à porta dos Paços do Concelho, conforme anunciaram publicamente, caso não sejam atendidas as suas reivindicações.

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