argus e Gente

Duas personalidades distintas, certo dia encontraram-se para jogar o seu habitué jogo de cartas. Este jogo, não era de todo normal, mais ninguém jogava com tais cartas.
Dizia-se no Reino que eram cartas com poderes quiméricos e até mesmo que cada carta largada na fina mesa de bambu, ditava o destino de cada um dos habitantes do Reino.
O jogo já ia bem embalado, cara a cara, restavam apenas estes dois seres, os mais respeitados e mais falados em todas as portas que tivessem direito a janelas, só tendo direito a estes orifícios de onde se podia discutir o “estado da arte do Reino”, quem tivesse uma posição de destaque na vida profissional ou social do dito Reino.
Frente a frente, estavam o Rei, que tinha como nome Argus, e o Génio, a quem todos chamavam Gente.
Por entre uma jogada e outra, mais uma ou outra vida atirada na mesa tão simples e fina, como a vida daquela gente, o Rei Argus ia fazendo umas perguntas ao seu Génio particular (pelo menos assim o era, enquanto jogassem).
Argus, a um certo momento dá um murro na mesa e diz: “Não jogo mais este jogo! Está viciado por ti Gente! Já perdi três dos mais respeitosos e dignos Homens do meu reino para teu belo prazer!!!
Gente responde: - “Pensaste bem na primeira parte do que disseste meu Rei, a última falhaste redondamente… eles do meu lado nada fazem e só atrapalham, mas sim são dignos deste Reino como qualquer um…”
Argus meio confuso, mais para o alcoolicamente bem disposto, manda servir mais uma dose de Absinto Tónico, a sua “bebida de conversa”… depois de uns goles atravancados na goela devido ao mau estar que começava a presenciar em si mesmo, acende a sua “cigarrilha de desabafo”, vira-se para o Génio e pergunta: -“ Um arrasa-me os cofres, já quase me levou à falência duas vezes, outro anda sempre a roubar as mulheres do Reino, e o outro que não vê nada, que é cego de nascença, embora ninguém saiba como, sabe sempre tudo de todos, pergunto-te porquê?”
Génio, com a sua habitual postura de meio sério, meio fauna, tenta responder ao seu Rei sem o intuito de o ferir ou ofender dizendo: - “Deveras interessante, meu senhor, e muito lhes prezo também, pois saiba sua excelência que todos acarretam problemas, e não ganha nem perde ninguém em os ter, é como se eu e sua alteza ficássemos “quites”.
Ora vejamos, o primeiro gasta o dinheiro todo do Reino por dois motivos, as moedas pesam-lhe nos bolsos, e as notas ele não ouve cair.
O segundo, que tem todas as mulheres do reino atrás dele, é amado por “se saber”, e, no entanto, não sabe quem ama.
O que não vê, é o caso mais importante de todo o Reino, tem relatividades imaginárias e estriges, pois embora não consiga ver, “enxerga” tudo o que se passa no nosso Reino.
Depois de ter ouvido proferir tais concepções nunca pensadas pelo próprio soberano Argus, este em meio de ironia pergunta ao Sábio: -“Já que sabes tanto de tudo, responde-me, porque sou eu Rei?” – : -“És Rei porque és o único no Reino que consegue argumentar, embora mentido”.
Argus acusa a verdade no que o Génio diz, e no intuito de dar a machada final na conversa, dá mais um gole no seu Absinto Tónico, pensando que tinha perdido tudo no meio de um simples jogo e pergunta muito sério: “Como é que tu fazes isso?” - “Isso o quê meu Rei?” - “Como consegues discernir tudo isto, deves ter algum poder que eu não saiba, aliás que ninguém saiba!”.
Ao que o Génio na sua humildade tipicamente épica, responde: -” Para esse “isso”, para me perceberes, só tens de pensar em duas pequenas coisas…”
-“Responde-me raios”, diz o Rei partindo ferozmente com as mãos a pequena mesa de bambu.
-“Primeiro, tens de te esquecer que sou Sábio, depois tens que te lembrar que sou Gente”.

COMENTÁRIOS

ou registe-se gratuitamente para comentar.
Critérios de publicação
Caracteres restantes: 500

mais

QUEM SOMOS

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.

CONTACTOS

967 249 166 (redacção)

910 496 991 (comercial)

geral@figueiranahora.com

comercial@figueiranahora.com

design by ID PORTUGAL