(Charlie Brown) Uma Espécie de Céu

Onde estás meu nome? E, para que saibas, que raio de nome o meu. Deixa estar, talvez amanhã eu o venha a perceber.
E onde está o mar? Não o deixes nunca sem o nadar, ouviste? O mar é uma espécie de céu, como tu quando és meu. Os teus olhos tortos e dúbios lembram-me da cor do sangue do meu mar. Sou simples ao dizer-te isto, pois sou das gentes do mar. Pedaços de terra escorrem por mim afora, até que o teu mundo de mim ande, os meus pés ardem a toda a hora. Até que eu me sinta “agora”, hora a hora, penso-te eu. Numa epopeia de tons mesclados de conexões entre o giro cingulado e a amígdala, entre o riso mais estonteado, mais esparramado, mais de vida. Teorias e teoremas, de pessoas essas, que não são de cor minha. Até que esse teu pequeno e húmido olhar ande, procurar-te-ei vida. Anda até ao teu passeio, sabes, aquele que faz de esquina. E onde está o mar? Onde está o mar? Ai de mim se não te digo, que o mar só é das sereias, se houver alguém que as ame e as ouça ao ouvido. E que as faça sentir feias só na ponta do umbigo. O teu cabelo, o teu cabelo sabe a “assembleias de pomar”. Esfrego-me nele, e assim, assim me penteio, assim me presenteio por teres ares de mim. De mim. A melodia da tua voz de pequeno gigante, aquela que me sussurra sempre a uns nós, vocifera tudo e todos, estando eu e tu a sós. A sós. Os teus pequenos lábios calmos, lânguidos e moles, fazem-me passar noite a noite a olhar ti, para quem um dia te vai beijar, te vai roubar de mim, ficarão estas noites para todo o sempre em ti e por ti. Por mim também, amor de mim.
No teu mar frio, berro no seu entucho o teu nome. Até ele tem de saber quem tu és. Onde estás meu nome? E, para que saibas, que raio de nome o meu. Sei bem quem tu és. No teu único e privado bocado de areia com cheiro a sal vive o perfume das nossas noites. Canta, dança e berra o teu nome. Charlie Brown,o dos amigos mais imos.
Os teus braços, aqueles fiozinhos de pouca e tenra carne com manchinhas e restos da “arte de Dios”, fazem-me encher-te o prato de flores. Não penso o porquê, penso “sê”. De tão pequenos e frágeis que são, levam-me a pensar que tenho como missão, como grande missão, a toda a hora, a todo o instante dar-te a mão, e levar-te a andar, a sair.
De corrimão em corrimão, de pistas de bmx a descolagens de avião. Olho para as tuas ainda trémulas mãos e não me importo se as deixas cair, ou se as deixas partir, não importa. Importa-me sim, que sintas o que te são e o que te dão, e que agarres bem quem és. Que agarres bem quem te amou e ama no aqui e no agora, o pouco e o muito, ora, ora, o faz de conta, e aquele de um minuto, te deixa mais que tonto, miúdo. Que agarres bem por um dia, esses tantos espantos da vida, que levou a vida inteira para tu a amares para poder-te ser vivida. Na cor e na forma dos teus pés, que servem como escadas para o que de facto tu és, vejo as pernas que eu digo sempre que são dos meninos “perna de pau”, aqueles que podem a qualquer altura cair, fugir, perder, rugir, ser…, mas essas, essas mil e uma coisas também são da minha cor, cheiram ao meu cheiro, e espero que um dia cresçam, corram, pulem ( sempre que quiseres ser um menino pedaço de céu ). Nunca percas esse direito. Nunca percas esse direito. O avô andou em direito, não te preocupes, esse assunto “já foi feito”. Para mim és aquele “animal” solto e vivo, sem um idem, louco e desenfreado à procura de mantimento fresco e vivo, à procura dessa, desse fradinho de ser menino. Para alguém. Para alguém serás alguém, e eu vou amar-te até morrer. Cuidado com os “lobos maus”, também te podem fazer morder. És uma espécie de céu, e é tão lindo ver-te ser.

 

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