CIGANOS OU CIDADÃOS?

Na última reunião da Câmara Municipal aberta ao público, em manifesto acto de desespero, depois de andarem há mais de dois anos a queixarem-se, simultaneamente, junto da PSP e da autarquia, foram muitos os moradores da rua 9 de Junho, na Figueira da Foz, que ali se deslocaram aos Paços do Concelho, onde de viva voz, apresentaram as suas reclamações.
Exigem que algo seja efectuado em relação ao comportamento de alguns membros da comunidade cigana que habitam naquela rua, os quais, em total desrespeito pela lei, ocupam a via pública, impossibilitam o repouso e o livre trânsito dos outros cidadãos, agridem, insultam, destroem os bens privados e público.
No nosso Município, infelizmente, não é só naquela rua citadina, em pleno São João do Vale, que se verifica tal situação, sendo perceptível, também, o mal-estar que se vive, actualmente, no Bairro Social de Vila Verde, tendo em conta os recentes incidentes ocorridos naquela freguesia.
O tema "Ciganos", não pode servir de desculpa para o preconceito. Pelo contrário. Todos, sem excepção, somos cidadãos providos dos mesmos direitos mas também dos mesmos deveres.
A haver discriminação ela tem que ser positiva, devendo dar-se continuidade e alargar-se o âmbito das políticas que resolvam os problemas específicos da comunidade cigana, onde as medidas de integração não se podem esgotar em projectos de habitação, passando antes, pela criação de planos e modelos mais amplos, assentes numa verdadeira articulação entre as mais variadas entidades com competência no assunto.
Contudo, os casos da rua 9 de Junho ou do Bairro Social de Vila Verde não se podem confundir com processos de integração social daquela comunidade, enquadrando-se, antes, num outro domínio, o da perturbação da paz e da ordem pública, em manifesta violação com os princípios duma desejável harmonia e boa convivência em sociedade, pelo que, tais episódios não podem deixar de ser tratados em conformidade, onde ninguém, seja qual for a razão ou o estauto, pode estar acima da Lei.
Porque compete ao Município zelar pelo bem-estar dos seus munícipes, não se mostra aceitável que situações como aquelas denunciadas possam continuar a ocorrer impunemente, devendo a Autarquia providenciar pelos meios necessários, entre eles, o reforço policial naquelas zonas(sabendo-se que o actual numero de agentes de autoridade ao serviço da zona urbana é insuficiente), de forma a terminar com aquele estado de coisas e, ao mesmo tempo, responsabilizar os infractores na medida da sua culpa em face da prática dos referidos ilícitos.

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