Com as imagens da catástrofe da Beira na mente

Eles, os Moçambicanos, não estavam avisados, nem sequer era previsível ou provável que aquilo acontecesse, era incerto, era um verdeiro “incertus”.
Nós estávamos avisados!
É a terceira vez que escrevo, é a terceira vez que alerto acerca disto!
Desta vez, vou ficcionar muito realisticamente, pode ser que assim me prestem atenção!
Eram 4:17 horas da madrugada lá, uma hora a menos cá, quando os sismógrafos assinalaram um abalo com o epicentro nas Ilhas Canárias.
O máximo da Escala de Richter era de menos para a intensidade do impacto daquele abalo. “La Cumbre vieja” soçobrou. O tsunami ou maremoto consequente, formou-se em segundos, com a violência e tamanho esperados. A “lei da causa-efeito” que é infalível, infalível foi. O “incertus” quanto ao seu quando, tornou-se infalivelmente “certus”, finalmente, o tão temido incerto, aconteceu, tornou-se definitivamente e irremediavelmente certo.
Formou-se um tsunami imparável e com ondas com mais de cem metros de altura a viajarem a cerca de 890 Km/hora. Nas Ilhas, os das ilhas, não tiveram tempo para reagir. Porém, nós sabíamos que seria assim! Também sabíamos que elas levariam cerca de quatro horas a atingir Portugal.
Estranhamente, os serviços de socorro e alerta, já tinham perdido duas horas úteis, muito úteis, muitíssimo úteis, demasiado úteis, enquanto as imparáveis ondas avançavam, deixando atrás de si um rasto de destruição e morte. Todos os navios que estavam no seu rasto afundaram. Morreram todos os seus tripulantes. Foram em vão todos os gritos, todas as rezas, e todos os pedidos de socorro, de certo, apenas a morte, e o facto de todos estarem no sítio errado no momento certamente errado.
Em Portugal, as futuras vítimas dormiam tranquilamente. Milhares, dezenas de milhares, morreram com o primeiro impacto das ondas que tudo submergiram e arrastaram para dentro do mar. Nesse momento, a onda pavorosa, já se transformara numa extensa lixeira no mar aberto. Uma lixeira com milhares de destroços, milhares de corpos de humanos e de corpos de animais arrastados pela sua inércia. Um testemunho vivo da morte.
Para trás, ficou um mar de destruição. Para a frente fica uma fuga desordenada e infrutífera que vai causando as primeiras mortes.
Alguns políticos, à medida que foram sendo acordados, imediatamente alocaram a si e ao seu salvamento os poucos meios existentes, especialmente os meios aéreos. Neste entretanto, haviam-se perdido duas horas úteis e importantes e, em consequência, na orla marítima da Figueira da Foz não houve uma reacção pronta e digna de nota. Não houve meios nem tempo. Morreu mais de noventa por cento da desprevenida população, porque os amigos não puderam avisar os amigos, nem os amigos puderam socorrer os amigos; os pais não puderam salvar os filhos, nem os filhos puderam salvar os pais; os médicos, os enfermeiros e o pessoal auxiliar morreram com os doentes porque não os puderam salvar, mas também não os abandonaram; a ronca tocou, tocou, tocou, até ser também afogada pela onda assassina, contudo, tocou, tocou, tocou, mas sempre em vão.
Vou ficar-me por aqui, porque os SERVIÇOS (quem de direito) estavam há muito avisados, eles sabiam que se tratava dum “certus ab incertus”, e, escudados na incerteza daquele quando, nada fizeram entretanto. Foi uma atitude criminosa. Já a natureza, não foi boa, nem foi má, apenas foi naturalmente natural, ela foi naturalmente previsível e fiel à sua natureza.
Prefiro que me acusem de ser alarmista, do que ser acusado de ser um poltrão, ou ser acusado de ser um criminoso, por isso tenho gritado, grito e gritarei, por isso tenho vindo a pregar no deserto e continuarei a pregar.
Caros concidadãos, por vós, pelos vossos, por mim e por todos nós – EXIJAM! ACORDEM! Porque a queda da “Cumbre vieja” é apenas um “certus ab incertus” mas é “um certus”. Disso podem ter a certeza absoluta!

N.B. Este é o terceiro texto que escrevo acerca deste assunto. Confesso que tenho um mau pressentimento!

Este texto foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

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