Comprei um livro e nunca vi tamanho título

É o primeiro e é o que tenho sempre medo de tentar ler
Quero comprar livros que me dizem, esquisitos e fazer de conta que me lembrei de ti
Quero comprar livros bonitos, coloridos, água, feitos não de papel mas de água e,
Fazer de conta que me lembrei de ti
Quero mostrar-te a minha estante e ver-te ao pé dela
Quero explicar-te a assimetria simétrica de cada sítio, de cada pó, de cada espaço entre os sorrisos lindos e rasgados que a minha estante tem
E não quero mudá-la mais até tu a veres
Porque eu mudo-a, sempre
Ponho autores a passarem a manhã com outros que não sei se se conhecem ou se conheceram ou se alguém-algum dia se conhece verdadeiramente
São de tempos diferentes, muitos, outros detestam-se em público, outros, invejam-se com truques nas capas, outros, nunca se leram
Como a noite é propícia para conversa e eles têm de dormir para eu poder dormir, mudo-os de sítio
Com o tempo vou aprendendo quem fala de dia e quem fala de noite, mas lixo-me, porque eles de noite -essa almofada colorida- escrevem-se em segredo, aprendi hoje de noite, não sabia, agora tenho medo…e medo de ti não queria
Tenho de mudar a disposição da estante
E não quero mudá-la mais até tu a veres
Quero ir contigo de calções sujos de relva com um palito arrancado do chão na boca, enquanto arranco palavras desses lábios de poetisa que teima em não querer falar de si em arranques que só de pensar, mais nada os outros que leio me dizem
Ontem lembrei-me de ti, como sempre, desde aquele dia que tu não te lembras e que eu lembro perfeitamente de todos os teus gestos de amiga, de família, morri
Tive na cama dois dias seguidos a dormir, foi no natal, andava estourado com a porcaria do meu trabalho na noite, nem estante, nem mesa de papéis, nem livros, bocados de papel escritos na mesa 1 colocados a pressas no fundo do bolso enquanto dizia, boa noite
Vi Deus, dormi com o anjos e sonhei contigo, desculpa, estava cansado, muito, até de mim
Como há dois dias, há dois dias
Nesta vida (desculpa, entretanto as minhas vírgulas)
Temos dois dias, o que nascemos e o que morremos
O que dizem que é o terceiro -queria encontrá-lo contigo- no meu primeiro dia
As mulheres não têm Graça e verdadeiramente só há uma Graça entre as mulheres
Os patos. Vi há bocado com o Charlie às 6.20 da manhã no lago, ralham muito quando acordam
O pato, o verdadeiro, calça os chinelos do Bob ou do Fidel e vai ver as suas meninas, lindas, como eu, como ele, como tu, como sim
Os verdadeiros patos nunca ralham com os cães, façam quáquáquá com a cabeça de lado, eu sei porque já vi, desgraçado de todo no coração, esse estranho velho conhecido, num momento sempre tão lindo e engraçado e eu a querer chorar nas Graças a olhar para aquilo e rindo e indo e indo e indo e fui e não fui, graça é isso
Tenho uma teoria autonómica funcional com as duas tabelas de basquete que me esperam sempre aqui perto, raro lá vou, como um pequeno nada é tão certo
Uma é mais baixa, com a rede mais estragada e com o aro falso, tenta ser verdadeiro, mas a natureza da minha bola quando lá bate ora se emaranha na rede e não sai e acaba-se o meu momento Globetrotter (não sei se é assim que se escreve, não uso a porcaria do corretor ortográfico nem vou ver se está bem escrito, errar é tão feio e tão lindo que deixa por vezes de ser só humano, é um quase infinito), ora se o poste mara comigo
A outra é mais alta, tenho de mandar a bola mais longe, o que me faz correr mais porque a bola de seguida cai toda decidida aos trambolhões
E eu vou feito Dennis Rodman tentar com pinta na cabeça, agarrá-la, o melhor defesa da história para mim, ele, eu quero ser, ainda não sou, mas não só de basquete
Não tenho a necessidade estúpida e comezinha de ajuntamentos mas gostava de te levar a andar de mota até Faro, já viste um filme ao vivo? Eu já, de polícias e motards, acredita era um filme porque eu fui lá perguntar se era e responderam-me que não, um filme é isso, um querer pensar que não é uma porcaria da televisão a tentar convencer-nos no ilumínio de uma caixa fancy, quer acreditemos na história ou não
Toda a gente gosta de flores, não há neste mundo quem não goste
Eu gosto e não percebo nada, arranco-as do chão e vou com elas na mão pela rua fora todo feliz
Mas nunca plantei nenhuma que me fizesse lembrar de ti e,
A saber, sem saber porquê, deixo-as pela cidade, em sítios estratégicos, onde alguém, algum dia pode passar e ver uma flor,: olha, uma flor!
E, como tenho costela de grego também, gostava de plantar um jardim inteiro como o senhor do charme, todo catita a brincar com os cães, contigo curado dos piolhos e das carraças que cada jardim inicia e encerra em por si
O jardim mais bonito do mundo, como eu -como tu- como tanta gente que teima e não se dá, por aí
Só que esse era plantado, grão a grão de terra, à chuva, ao sol, ao vento que me afasta sempre de ti (“mundi caput, esqueceram-se de nós aqui”, um texto que fiz para ti, há muito, muito, mal te vi)
Não estou apaixonado por ti nem te amo porque tu não queres
Há toda uma geometria poética em tudo o que tu fazes
E o que é que tu fazes?
Todos os dias digo: bom dia, olá, até já, então e o que vais fazer hoje? Correu bem ontem, aquilo? até manhã. Tu, o que digo? Como coloco o até ou o como na minha boca? Antes ou depois da dimensão temporal? O até já, em vezes, mata-me, inté, chateia-me, aborrece-me até à tuta ( quase tanto como por não ver nada escrito por ti, como entre versos te pedi ) e amo tanto estar sozinho que até me esqueço de mim )
No natal passado tu toda feliz conceptualizaste a minha forma de escrita ao telefone e a minha maneira de ser, o que tu vês nela (será que vês, observas ou lês ), será que vês os erros que eu faço enquanto não dirijo palavras, será que vês que consigo falar de mil e uma coisas com duas, três palavras, porque tenho a “maniazinha das intelecções” ( texto parvo e lindo, como o Charlie!)
Chamaste-me filósofo, poeta, pedagogo, títulos outros e, eu charadístico comigo e contigo, com o mundo porque morria de saudades de te ouvir, só a ti, nunca ouvi, saudades de um passado-futuro, que presente -presente, só olhar para ti
Não subi passados outros dias de propósito porque fugi de ti!
Fugi de te dizer, dá-me a mão, dá-me a mão, preciso tanto mas tanto de ti, olha para mim, deixas-me olhar para ti, aqui?
O amor não se escolhe, planta-se e eu dou por mim a ver passar os dias a tentar contar cada sarda que se agarra na tua cara e não carinha, porra, as coisas pelos nomes, se merda é isto, esta pouca linha, fertiliza o teu chão com ela e, a culpa é com muito prazer: toda minha
Sim, escolho olhar para esse quadro, a tua fotografia
Dizes-me um segredo? Eu digo-te o meu mundo.
O que é que eu posso dizer de ti quando me te dizes tanto neste mundo?
Podemos plantar um segundo?

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