Corre Agosto a gosto?

Corre apressado mais um Agosto. Corre tão apressado que até quase lhe perco o gosto, enquanto olho para o horizonte que tal como ele, parece também querer fugir-me, mas eu teimo em segurá-los pelo canto do olho, embora nenhum deles me encare com gosto ou sem gosto, neste já próximo fim de Agosto. Sinto que o horizonte é a porta da fuga do tempo e, por isso, sei que é por aí que se escapará para meu desgosto, mais este Agosto que leva o gosto do Verão que tanto gosto!
- Verão?!!! É uma promessa, pois então!!! Se verão?…, veremos…, ou não!, porque é sempre uma incógnita. A certeza, certeza e certezinha é que chegará um dia… que somente os outros verão o Verão, só eles saberão quando é que nos é esse primeiro Verão que já não veremos e que eles sim... ainda verão esse Verão.
É com este pensar que me salta novamente a gosto o pensamento para Agosto e, mesmo pensando com gosto, ou sem gosto, ou com desgosto, dou comigo a divagar, mesmo devagarinho e sem pressa: «Quantos Agostos ainda me restarão?»; «Será este o último?». São ideias que não me causam nenhum gosto e que até me estragam o Agosto, por isso, salto imediatamente delas a gosto e até com muitíssimo gosto.
Embora sem poder ver, imagino o que dirão nesse Verão que somente eles saberão e verão: «Ele –que serei eu- não virá, nem verá mais o Verão do seu Agosto, tão do seu gosto; Foi- -se! Partiu! Foi-se de repente! Ficou aqui caído e não se mexeu mais! Já daqui não saiu!» (Perguntará alguém confundido: «Mas…, afinal foi ou ficou?» ) – Dirão: «Foi, pois!!! Ficou aqui caído! Não se mexeu mais! Já lá está!, que lhe sejam leves os pecados - como se usa dizer!» Assim, dirão aqueles que assim me verão e que nunca mais me verão naquele, ou noutro Verão, do qual somente eles verão a gosto o maravilhoso Agosto, do qual não terei mais gosto nem desgosto, porque jamais voltarei a ter um Agosto, ou qualquer outro gosto ou desgosto, porque assim termina verdadeiramente o nosso último AGOSTO..., verão!!!
No final de todas estas contas pergunto-me?: para quê tantas trocas-baldrocas, tantos trocadilhos, tantos eufemismos e tantas redundâncias…, quando bastava dizer simplesmente: - Morreu! Não lhe resta mais nenhum Agosto nem desgosto, nem Verão, verão!!!

PS: Este texto de inusitado mau gosto não passa duma tergiversação sobre o Agosto que tanto gosto, estando eu muito bem e muito feliz e tão a gosto neste Agosto tanto a meu gosto, verão..., porque é simplesmente Verão!!!!

* Este texto, foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

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