Crónicas de tudo e de nada: Gente “baixinha” em bicos-de-pés

Convém começar por esclarecer que a minha definição de gente “baixinha” não tem nada a ver com as características físicas das pessoas, nomeadamente a altura; tem tudo, e só, a ver com a estatura moral - a pequenez de espírito, o cabotinismo, o orgulho desmedido, ou seja, o ensoberbecimento.
São aqueles que cimentam a imagem de heroísmo, abnegação e filantropia apregoando que tudo fazem apenas pelo amor à comunidade, pela vontade de servir, com total desapego a cargos e títulos mas que, curiosamente, são os mesmos que falam sempre na 1ª pessoa do singular, que têm necessidade absoluta de propagandear urbi et orbe todos os seus feitos, os favores que fizeram, as suas intervenções, as suas realizações, os seus títulos, de preferência esquecendo que nesse caminho de sucesso foram muitos os que participaram com ajuda, incentivo e trabalho. Os verdadeiros altruístas, com vontade de servir, não usam os lugares que desempenham para se promoverem a cargos mais altos numa hierarquia real ou imaginária e não se perpetuam nos cargos.
Há tanta gente que dá todos os dias de si à Comunidade de forma voluntária e anónima! Gente honesta e altruísta que se entrega de forma generosa nos hospitais, nos clubes de bairro, nos grupos de intervenção social, nas associações, nos movimentos cívicos - sem benesses, sem contrapartidas, sem despesas pagas - e continua anónima. Gente que não precisa de caluniar outros para se fazer notar; gente que não inventa factos para esconder os seus medos e as suas fraquezas; gente que não ignora o debate, não despreza a opinião de terceiros, não persegue quem lhe parece que possa vir a incomodar; gente a quem nunca passaria pela cabeça dizer, ou sequer pensar, que se fôr preciso luta na lama, e que na lama ganha. Porque esse é o processo da gente “baixinha” que se põe em bicos-de-pés. Podem continuar até à exaustão nos cargos que lhes convêm ou até vir a ganhar outros de maior destaque; podem manipular uns quantos ansiosos por entrar num palco prometido que nunca chegará a ser iluminado porque os holofotes serão sempre para os mesmos; podem sentir que ganham todas as batalhas, mas um dia a máscara vai cair, os pés de barro vão quebrar e os amigos de ocasião vão desaparecer.
Abençoados os que ousam discordar dos déspotas!

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