Crónicas de tudo e de nada: Pais, filhos e… falta de paciência!

Não tenho por hábito criticar a forma como os pais educam os seus filhos. Afinal, em última instância, os pais serão os primeiros a sofrer com a educação que (não) deram aos filhos. Eu própria cometi seguramente muitos erros como mãe de três filhos, muitas vezes por desconhecimento da “fórmula ideal” para educar, outras por achar que, por serem muito jovens, mantê-los na ignorância dos problemas e das vicissitudes da vida lhes pouparia preocupações e evitaria traumas.
Mas nem sempre esta é a melhor solução. Pessoalmente só mais tarde compreendi que as crianças preferem saber a verdade, ainda que dura, e ter a possibilidade de aprender a lidar com ela, do que serem confrontadas na praia, na rua ou na escola com comentários inesperados e muitas vezes perversos que doem mais do que a verdade.
Hoje em dia receio ainda cometer alguns erros no acompanhamento que faço à educação dos cinco netos mas, dando-me embora aquela liberdade deliciosa que é tacitamente conferida aos avós para abusarem do mimo, tento manter regras e disciplina.
Convenhamos que ser progenitor/educador não é uma tarefa nada fácil sobretudo quando os pais trabalham o dia inteiro, as crianças ficam demasiadas horas nas escolas, têm inúmeras actividades extracurriculares, precisam de acompanhamento nos trabalhos de casa, o jantar não se faz sozinho, a roupa tem que ser lavada… e a paciência tem limites. Por isso, embora discorde de forma veemente e ache que não é salutar nem educativo autorizar as crianças e jovens a ver televisão enquanto comem ou usar de forma excessiva os tablets e os telemóveis, a ter demasiados brinquedos ou a verem todos os seus caprichos atendidos, não me sinto no direito de criticar e posso até praticar alguma tolerância.
O caso muda de figura, contudo, quando os pais autorizam que as crianças se sentem à mesa com bonés na cabeça, não se levantem para cumprimentar os mais velhos, comam com a cabeça apoiada nas mãos e os cotovelos enterrados na mesa e joguem ou vejam os “bonecos” nos telemóveis com o som aos berros em lugares públicos.
Isso, acho absolutamente insuportável! E olho insistentemente de soslaio na esperança que os pais entendam. Infelizmente, nem sempre sou bem-sucedida. Ontem foi um desses dias em que uma irritante garota de seis ou sete anos me infernizou com a mesma exasperante música aos berros durante mais de uma hora sem que os pais se apercebessem que ela estava a incomodar meio mundo.
Só não me conseguiu arruinar o almoço por completo porque as sardinhas eram excelentes, a conversa com os vizinhos da mesa do lado muito agradável, e a paisagem de Buarcos na baixa-mar é inigualável.

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