DEPOIS DE UM CARNAVAL EM VENEZA…

É o título do livro que brevemente publicarei.
Resumindo a história, um casal com o casamento desgastado, vem a descobrir que foram infiéis, pasme-se, um com o outro. Descobriram por causa dumas contas (umas pedrinhas pintadas) que num baile de carnaval em Veneza, os cavalheiros ofereciam às damas como recordação. O livro consiste nas respostas que 23 personagens diferentes deram a esta pergunta. Aqui fica um cheirinho.
III - Pinto, solteiro, vinte e sete anos, arquitecto, espraiou-se assim:
- Engraçado! Fartei-me de rir! Eu sou assim, sou diferente, sempre fui diferente sem nunca ter cultivado a diferença; lembro-me que desde muito pequeno me escangalhava a rir quando assistia a filmes de terror.
- Mas, essas "contas" de pessoas de "más contas", são de facto engraçadas e dão-me vontade de rir. Poderia perfeitamente acontecer-me, mas com duas grandes diferenças: a primeira é que ela seria uma das minhas muitas amigas, poderia ser qualquer uma delas, mas nunca seria a minha mulher, porque não me tenciono casar. Nunca me casarei! Não gosto de falar mal das mulheres, nem sou fã de Pitigrilli, mas achei a história "fabulástica", achei-a fabulosa e fantástica! Se me deparasse com aquelas "contas erradas", em vez de gritar, daria uma enorme gargalhada e roubaria uma das "conta" para recordação!
- Não sou casado, nem me quero casar, nem sinto qualquer apelo à paternidade, embora sinta muito carinho e me sinta responsável por todas as crianças que comigo se cruzam. Cultivo o amor livre! Tenho um harém de "amigas coloridas" e também sou, consabidamente, membro, parte e número doutros haréns de muitas amigas minhas.
-Vivo assim, vivo despreocupado e quando "pinta"..., acontece!; acontecem programas, fins-de-semana, férias, "one-night stand", encontros programados em grupo ou simplesmente a casal, sempre "na boa" e com "boas curtes". Até digo mais..., se pinta um "mau clima" entre um par, troca-se o par "na boa", e "na boa", pacificamente, segue a "curte"!
- Em minha casa tenho roupões, pijamas e chinelos desde o número 36 ao 44. Tenho dúzias de escovas de dentes descartáveis e tenho uma máquina para esterilizar as escovas do cabelo e a máquina de depilar. Lá, na minha casa, é absolutamente proibida a entrada a esses objectos, assim como a estadia máxima é de cinco dias. Estas são as regras da nossa "Tribo"! As nossas "contas" são estas e não queremos outras "contas", somos felizes assim!
- Acho que essa história não acaba, apenas segue deslizando suavemente sobre os carris da hipocrisia e com paragem obrigatória nas estações do engano e da mentira.
XVI - José Luís, empregado indiferenciado, mais conhecido por "Pinga"!; "Pinga", que por sua vez é uma redução da sua alcunha inicial que era, nada mais ou nada menos..., do que: "Pinga amores".
O "Pinga" é um espécime com sessenta e três anos de idade!, é ainda solteiro e solteiro será sempre! É empregado indiferenciado desde os doze anos de idade, altura em que saiu debaixo das saias da mãe.
Dizia, que é empregado desde os doze anos de idade na empresa conhecida por: "Esquemas e Desenrascanços" em Comandita, Lda., com sede em qualquer rua e sem capital social.
É um homem pequenino, baixinho, mas não velhaco! Diz com orgulho que, no seu caso, apenas metade do ditado popular é verdadeiro! Diz ele que: « Um homem pequenino nem sempre dá num bom bailarino, mas que um bom bailarino, nunca dá num velhaco! Nunca gostou dessas contas.»
Riam-se-lhe os olhos, fremia-lhe o corpo, à medida que lhe ia contando a história. Ele já se ia sentindo em Veneza!
- Querubim! Queria mascarar-se de querubim. Querubim com muitas cores! Querubim com tantas cores, quantas as danças que derramaria nessa noite! Querubim!, alegre, sorridente, feliz e saltitante! Querubim seria a sua fantasia perfeita. Depois..., já mais compenetrado, começou por dizer: - "Pinga amor" foi a minha primeira, a minha única e merecida alcunha, e é assumidamente o meu nome de guerra! Fui, sou e serei sempre um "Pinguinha", um verdadeiro "Pinga amores". Só sei fazer contas de dividir. Nunca quis aprender a fazer as outras contas. Para mim, as outras não são contas verdadeiras! São operações que levam a enganos e que causam sofrimento e desilusões.
- Sempre dividi amor! Sempre dividi sonhos! Sempre dividi amizades e alegrias! Nunca conheci uma mulher feia! Nunca senti ciúmes e, se pudesse..., bailava, dançava com todas as mulheres do mundo, e mergulhava no fundo dos olhos de cada uma! Ah!, elas são lindas! Lindas! Lindas e maravilhosas! Quando uma mão se "acama" suavemente na minha mão, e a outra minha mão se acosta nas suas costas..., abrem-se as portas do paraíso. Aos rodopios e numa espiral ascendente, subo, subo..., subo ao céu, passo as estrelas..., sonho maravilhas, levo-as comigo na viajem da beleza sem fim!
- A vida devia ser sempre uma festa! Eu vivo em festa! A minha vida é um eterno carnaval! A minha alma é linda como aquele salão de baile. Ela é linda, é alegre, é colorida, é animada e cheia, cheia..., cheia de sons, cheia de luzes, cheia de perfumes, cheia de danças e cheia de alegria como aquela festa que me descreveu! A minha vida é uma festa, mesmo quando "mourejo" a trabalhar durante o dia, só para poder ir à festa à noite!
- Não posso morrer..., não quero morrer, sem ir a um carnaval a essa tal Veneza! É longe? Hã?! Hã?! Só se chega lá de avião? Hã?! Hã?! Tenho uma cagufa de viajar de avião! Apavoram-me essas contas..., afinal de contas o homem não foi feito para andar no ar!
- Está a perguntar-me como é que eu acho que acabou esta história? Sinceramente não sei! Eu nunca enganei ninguém! Apenas dividi risos, sorrisos, alegrias, e até amor! Nunca ninguém chorou por minha causa! As minhas contas são festas de alegria! Sinceramente!!!, não imagino, não faço e não quero essas contas na minha vida!
- Sou um "Pinga amor" verdadeiro, não sou um "Pinga lágrimas" nem um "Pinga tristezas, enganos, mentiras e desilusões". O meu mundo é um mundo de festas! É um mundo em festa e em paz!
- Que pena tenho de sentir tanto medo de viajar de avião! Essa tal Veneza é muito longe??? Hã?! Hã???!...

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