e céu é todo o ponto onde existe um lugar

foge-me
para eu te poder encontrar
encontra-te
para eu me poder perder
nos teus braços, esses
fios de maçã canela
com sabores acros
de dias de hebdómada
és tu que faz o meu tórax
lembrar-se-me de mim
hora por hora
foge-me
de mim a mim
por aí
demora
para eu me poder despropositar
ter desculpas
para andar por aí
só e unicamente a fazer uma coisa
que pouco faço,
andar
não verei nada, prometo,
só o meu andar
só quero que me fujas
para eu ver onde me meto
ou se vou enlear-me a andar
a olhar para o céu
que na sua teimosia
me diz ao ouvido:
- “Vou ficar lá fora”
(porquê eu?)
onde as estatuetas precisam de mim
tenho de lhes render a hora
tenho de as honrar!
não sei porque e se me obrigo
a dizer-lhe o que quer que seja
isto de falar com o céu
só mesmo quem o veja
mas mesmo assim respondo-lhe
-O céu é para todos
podes ir por mim, e
tudo o que te possa dizer
é pouco para tantos todos
fujo às perguntas do céu
pois ele quando fica mau
tudo cá em baixo interverte.


Pergunta-me o céu: - Onde devo estar?
Ao que respondo: - tu deixa-te estar!
aqui
ali
onde houver ventos e lugar
ventos e lugar
e deixa-me andar
céu é céu,
e céu é todo o ponto onde existe um lugar

 

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