Enquanto te ame

enquanto te ame
olá também é um deus
senhora que a vida toda ame
todos os passos seus
senhora deus mãe terra
círculos de fogo de Zeus
circos de soco de Prometeus
senhor deus pai da terra
onde vivem amores meus
e senhor deus pai do chão
ancião de fundos de Proteu
por muito que tente não dizer
tu estás aqui
estão todos aqui, até eu
uma seguia
outra voltava
tudo andava
andava tudo a voltar
e a seguir um em cada um passo seu
um ínfimo pormenor
de deuses aqui
e aqui ao de perto, cada vez mais vento
em cada um e por cada um em de si
em buscas desenfreadas do líricos-de-vento
essa doença
esse tal advento
para quê tanto discernimento
nada tento
nada nem ninguém
na verdade é mesmo só mais um seu
oh argus olha o momento!
como se fosses
como se tu fosses tu, filha de Poseidon
Despina, a mulher deus mais e mais bonita
deus mulher da fertilidade – a pétala cria
e nada volta a ser o que hera
o resto imita
até o mar
até o mar em todo ele se delimita
beijo o chão
beijo o céu
beijo o vento
como tudo é o que foi
e como tudo será o que agora podia ser e era
que coisa tão terrorífica e bonita
deus mulher – a primeira ninfa
tirando tu, tirando-me para mim, atirando-me para o mundo
dando tudo para si, um pouco mais de si – um pouco mais de mundo
o teu irmão Asopo, esse doidivano veio tomar conta de mim
enquanto tu pintas por todo esse mundo que te grita
num e só num único expiro vagabundo
de saliva seca, de Messalina erudita
de fôlego afrodita, de expiro em expiro, de tão grande pequenita
em desejos sem fim
Deus vosso pai
falhou com tantos e comigo
matou uns e deixou outros vivos e mortos, aqui
Sozinhos e a sós com o mundo
e tu aqui
Não importa. Mais. Comigo.
Ouço-te tão bem, bom amigo vento. Todo o outro é um outro
E um outro vem e vai – não ganho nem perco um único segundo
tu estás aqui
Lá longe em destinos de destino
Tu que me falas ao ouvido enquanto acordo
contigo todo o quarto é uma salita
olha, e tu aqui, e tudo fala e tudo é surdo
e tudo decoro
esse tão grande e pequenino abismo de absurdo
estico-me todo e tudo encolho
e tu aqui
Por não saber como lhe dizer como parar
viro-me para um outro mar
mando um mergulho a céus
deserto em todo por ti
não quero e quero tanto orgulho
sozinho, e tu aqui
e depois olá e adeus, mais nada dizer-te eu sabia
nem queria
quando se ama uma corda com um liame não se desamarra nada em compaixão
Inventa-se trinta por uma linha, sozinho e acompanhado até um mais menos, olá e adeus, por favor, sigam, vão, ligo e desligo
mil e um quilómetros de cola e de fita
não sei melhor forma de atar esta guita dos meus sapatos enquanto te amo
se há melhor forma ainda não aprendi
e sei ser o melhor e o pior aluno
tudo depende – sabes que és bonita, não sabes, sim?
o deus mais bonita
na verdade, tirando isso, mais nada falo e não falo
até a tua beleza faz-me falar mal de ti
tudo me põe a rir e tudo me irrita
enquanto a vida te ame
eu também não
eu também sim
só te vejo
quando me vejo
a mim
ao que convido de amor neste mundo
á minha visita á minha paixão tão grande por ti
enquanto te ame
amo e vivo tudo
és o amor da minha vida
és o tormento do meu meio dia
és todo o amor que brota em mim
flores são poucas para todo pico tanto
vasos são água de tanto giro recanto
quando se pára e vê: Olha, o amor da minha vida
já agora, deus não consegues, nem tu, fazer uma mais bonita.

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