espumantaria

- acordar não queria,
adeus aos meus sonhos, a dizer eu
não os queria
mesmo os tolos
mesmo os que ardem na bambolina
os que eu via
a que horas seria?
Tendo de o fazer
Obrigando-me a mal dizer
Olhar para fora e lá dentro tanto poder ver
Tudo a se contradizer, eu
não queria
Deitado nas más tréguas
Que faz o sonho nu com o vestido nu no dia?
Será de noite? Será no dia?
Acordando disso,
todo o meu sentido se acabaria
Se eu não visse os meus sonhos a morrer, morreria a pensar que não sonhava o meu reviver e mesmo assim viveria e morreria sem me perceber
e porque assim o seria
para mim, em imperfeita desarmonia
aquela meia laranja que depois de cortada a todos se lambia
Ao invés vivo, em favor de desejos e caprichos de me voltar em alegoria
nós somos hino - quem o melodiaria?
Também já sabia o que para mim se, esqueço o que dizer queria, será sorte, sina ou teimosia?
mistos de linhas ásperas na minha mão
Esses porquês
Esses tristes estragos da razão
Que me fazem moer tanto os dedos que partem e voltam
sempre à minha mão
Molho no espumante o pão
abençoo-me como meu irmão
Aí rebenta toda a alegria, melhor e pior irmão eu não teria
Todo o sonho mais escondido
anda sempre comigo de noite - de dia
Na vida de um homem nem só o fermento serve de sustentaria, nem o amigo do amigo, nem o pão sem o esganado vinho do grande Puff, alegria!
Seja muito bem-vindo
Tolo eu se assim o pensasse que seria
porquê?
Há bailados de espumantaria, aí todos se fazem na "pista", de sapiente a inocente,
de empresário a artesão,
de artista de cinema a último na bilhetaria
que mastodonte tontaria
No final, em dejectos que de madrugada o esfíncter recria
Aí serei eu mesmo esse meu irmão?
Se no baile das partículas esgazeadas do espumante
eu arroto toda a alegria
nos restos do pão mandados para o fundão da minha boca, mastigo bocados, sim bocados, em hora absorta -sou o quê mesmo em demasia?
Cada um é sempre mais qualquer coisa a qualquer hora do dia
sinto-me como se nesse, nesse momento eu não mais me serviria, não tivesse eu um mais meu me apetecia
para o contrariar
Interrogo-me se assim me posso pensar ou se alguém o pensaria
Nem me digo nem onde me eu vou estar
Subterfúgios tenho me de mais de mos criar
Como se não fosse nada e tanto o tentar
Como se não fosse nada e tanta a vez o pensar
Se é feito o homem de pão, a espuma nos dedos lá se nos dedilha,
a batalha estomacal entra em acalmia, o ante lábio solta-se faz-se magia
e no final, tudo é dono de si
eu sei que sim
cá dentro tudo se cria
porém, quem encontra o sonho que sonhou
Já com mais nada se cria

 

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