Figueira do Ai! Ai! Ai!

Acrescente-se o título deste texto à campanha publicitária que tanto brado tem dado no burgo. Se já Amália dizia que o fado, agora património cultural imaterial da humanidade, é uma queixa, que se candidate o queixume a património cultural imaterial concelhio. Embora não sendo realidade exclusiva da terra, é esta que me dói e que me faz escrever.
Quando nada se passa, lá vem o Ai! Ai! Ai! costumeiro, impregnado de conjurações sobre a inércia e inépcia dos que nos governam. Quando há uma actividade qualquer que põe em causa a modorrenta vidinha, lá vem o Ai! Ai! Ai! que ninguém consegue dormir, que não há estacionamento, que a cidade fica num caos e tudo isto, claro, acompanhado de raios e coriscos, impropérios e demais ejaculações verbais. Não é intrínseco ao sucesso uma boa dose de sacrifícios? Ai! Ai! Ai!, pecado feio este de estar sempre a dizer mal de tudo e de todos. Muito feio, porque comporta em si a preguiça, diria o Papa Francisco.
Podemos concordar ou não com a estratégia definida para a emancipação turística do concelho, é certo. Sabemos, no entanto, que, independentemente do modelo seguido, não há estratégia que resulte se os figueirenses não a adotarem como sua; se não lhe reconhecerem as potencialidades e o efeito esperado no desenvolvimento económico, cultural e social do concelho; em última análise, se não souberem qual o impacto daquela ação na melhoria efectiva das suas vidas pessoais e familiares.
Urge, talvez, entusiasmar de novo a cidade. Tornar os figueirenses parte intrínseca da solução. Aproximar eleitos dos eleitores. Comecemos, pois, por acabar com o distanciamento formal que é cultivado por aqueles que exercem cargos políticos, escudando-se na nobreza da função que ocupam. É que se é verdade que temos de ter uma opinião pública (bem) informada não é menos verdade de que o exercício desta postura soberana só serve o alheamento e a crítica, porventura, infundada. Como sabemos, quanto mais próximos nos forem as pessoas e as causas mais sofremos com as suas derrotas e mais nos entusiasmam as suas glórias. Ai! Ai! Ai!, mas é a vida.

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