Fui à janela, estavam duas pombas a beijar-te, amiga terra, amiga terra, minha

Partindo do mesmo início ou do mesmo fim, vários foram os dias em que te vi
a correr para ti me quis, no início, na tarde. nu no dia
paz. Tudo para. De trás para a frente e de frente para as de preto, de luto, tinham morrido todas as flores do nosso jardim
abro os olhos um pouco mais tarde, na sutura dos caules
vi que tudo Deus nos deixou
fui eu que te quis vêr, conheço-te sempre até partir
Taquicardia nos olhos, os pés prensados num depressa
a boca seca e a garganta congelada
a língua solta e presa
tanta palavra sem possível fala
como tudo é tanto e é nada
a paixão funde-se na rua
o amor no céu
minha estrela de mil, mil anos que ilumina o mundo, todo em água
Sou capaz de te dizer
todos os dias que te vi
como foram, para mim e para ti
sou eu, um saco de murros na barriga
e, um sorriso torto, quando te vejo em mais uma despedida
quieto, paro-te e peço-te a mão
um dia na terra é muito curto, como um fósforo que ilude ao acender e que logo se apaga, antes do fogão conseguir ser lume aceso de vela em vela, todo o navio dos cais se despega
um mês é eterno e pouco mais ou menos
um ano passado para nós é melhor, como nos tínhamos combinado
a velhice.
e, tu ainda com passos de menina
eu, velho, “gastão”, sempre à procura
e achar na porta, a saída
abre-se-me o mundo quando te vejo
uma passagem, um buraco no chão
meu Deus e Deus, não
quero-te com a certeza que nunca te quis e que nunca te vou querer
quero-te e só o querer já me preenche e esvazia, como um balão de ar quente, quente, e frio, num senão
a voar por que me mente. quem mente fala. Quem fala, mente
que voa, voa e desmaia quando te vê de saia, qualquer cor a ti bem seria, tanta
que mais nenhuma cor vê-se nesta sala
sabes qual é o meu pior pesadelo?
acordar dele e, tu não estares lá
com migalhas na camisa de dormir. E dizer-te, meu amor, bom dia, ainda temos toda a vida
começamos por onde? Pergunto-te, enquanto abres esses olhos de mulher-menina
encostada a este canto que não se fala.
ontem, pedi à nossa nuvem se eu podia voltar a dormir lá
saltei dela com uma frase, um código meu antigo “ amar é partir”, disse-lhe um dia
para entrar, ontem, disse: “ partir é amar”, dormi tão bem e tão mal
como o amor é, a luz e o escuro, a batata mal cortada, perfeita gota de rosa-sangue, de beijo-animal-porque mentes?-pára!
sempre que tu e eu queremos, damos a oportunidade de um ver-se ao outro
conhecemo-nos até de costas, sozinhos ou acompanhados
camiseiras e falas tortas, os teus lábios secos à espera de um “eu não me ralo”
Tu, fazes a respiração flora e, chegam-me os vendavais
aqueles segundos tornam-se eles próprios uma vida -para dentro falo-
não posso querer mais porque tudo já quis.
inverso ou no verso das estações
sempre que vejo uma flor, penso que nasceu para eu ta pôr no chão
e, de todas fazer uma rasgo até ao céu
e, descansar nas nossa nuvem, uma vida

fui à janela, estavam duas pombas a beijar-te, amiga terra, amiga terra. minha

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