FUTURO HIPOTECADO

Nunca escondi o meu amor pelo concelho onde nasci e onde escolhi fazer vida.
De igual forma que me preocupo com o concelho, preocupo-me com a juventude.
Talvez estes sejam os dois maiores impulsionadores do início da minha participação cívica, associativa e partidária.
Não tenho qualquer prazer em criticar o meu concelho, a verdade é que o estado em que ele se encontra me preocupa. A mim e a muitos dos jovens que têm este concelho como terra natal.
Há anos que vejo uma autarquia de costas viradas para a juventude e consequentemente uma juventude de costas viradas para a autarquia. Este virar de costas, embora mútuo, tem um culpado maior: a falta de preocupação da autarquia em desenvolver políticas que captem a atenção e o interesse da juventude. Uma ausência de políticas que, sem dúvida, está na origem desta situação.
Olhando ao meu redor, não vejo um concelho atraente para a juventude, não vejo um concelho inovador, vejo sim um concelho petrificado no tempo.
Fazendo uma breve reflecção sobre os concelhos vizinhos, chegamos facilmente a uma conclusão: a Figueira da Foz que outrora foi líder em tantos aspectos encontra-se presentemente estagnada no tempo!
Esta situação vai alimentando saudosismos. Curioso é que esse saudosismo mora em muitos jovens, ao contrário do que se pensa!
Quando é que se começa a pensar em políticas inovadoras?
Em algo que faça a Figueira da Foz se afirmar como já se afirmou?
Num momento em que felizmente os jovens são o público mais recetivo às inovações, à ecologia e à sustentabilidade, levanto uma questão! Para quando a Figueira da Foz avançar nesse sentido e instalar postos de abastecimento eléctrico para automóveis híbridos que cada vez mais são mais comuns?
Para quando uma política de juventude que estude as necessidades das empresas locais e aposte na formação profissional que realmente são necessárias para que haja contratação? E desta forma fixar a juventude no concelho?
Chega de formar bons profissionais que infelizmente não se enquadram nas necessidades locais e acabam por procurar “um novo lar”.
Para quando uma política para a juventude?
Para quando?
Questiono eu e tantos outros jovens que andam há anos atrás dessa mesma resposta.
Talvez um dia, digo eu…
Para já, continuamos no ZERO, para já a dívida deixada por outros executivos é desculpa para tudo, contudo, para já, não é para sempre!
Hoje temos uma rede de transportes que obriga os jovens das freguesias não urbanas a saírem das suas casas às 6 horas da manha para chegarem às escolas a tempo da primeira aula, e muitas vezes chegam atrasados. Hoje temos uma rede de transportes que precisa de 24 horas para fazer o concelho de norte a sul e voltar.
Hoje temos uma autarquia que se gaba da melhor execução orçamental, mas continuamos com jovens a sair do concelho para encontrarem emprego, ausência de uma política de desenvolvimento para o concelho, inexistência de pontos de atração turística para fomentar o turismo, impedimentos para que os jovens construam nas suas freguesias, e por fim um valor de IMI dos mais altos do país.
Perante tudo isto questiono onde está a preocupação com a juventude?
Esta situação tem de ser revertida com urgência. Já dizia Platão, “O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior”. Contudo, não há impossíveis, esta situação pode e vai ser revertida, a mudança está nos jovens, não sou eu que o digo, é a história da humanidade!
Acredito que esta “hipoteca” terá fim em breve e que a juventude terá uma voz activa nesta mudança.
Acredito que a juventude diga, em voz alta, Basta! chegou a hora de mudar!
Em breve chegará essa hora!

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