Mistérios da vida!

OBRIGADO DANIELAS!
A VIDA É UM GRANDE MISTÉRIO!
MORREMOS SEM CONSEGUIR DECIFRÁ-LOS. TRÂNSITAMOS PARA A ETERNIDADE COM O CAIXÕ CHEIO DE PORQUÊS PARA OS QUAIS NÃO CONSEGUIMOS OBTER RESPOSTAS.
Tenho uma confessada admiração e um profundo respeito pelos BOMBEIROS, pelo espírito e pelo profundo sentimento de “DAREM-SE TOTALMENTE” a bem dos outros! Por isso, tenho expressado frequentemente o meu reconhecimento e a minha profunda gratidão em diversos textos que lhes tenho dedicado e publicado.
Estranha e arrepiante coincidência, estranhos e inexplicáveis porquês que me fazem pensar e que adensam ainda mais os grandes mistérios da vida. Torno a publicar a publicar um desses textos que: Imaginem! Intitulei de: “OBRIGADO DANIELAS!”
Levei um soco no estômago quando recebia notícia que a ex-bombeira DANIELA SILVA (agora enfermeira) faleceu ontem, na queda do helicóptero do INEM.
Fico-me por aqui!
Deixo-vos entregues aos vossos pensamentos…
Uma vez mais…e com o sentimento reforçado:
OBRIGADO DANIELAS!
Especialmente a todas aquelas que faleceram ontem na queda daquele helicóptero do INEM.

Histórias com ambulâncias pelo meio II.
Obrigado D-A-N-I-E-L-A-S!
Vivo acarinhado por eles!
Gosto muito deles!
Admiro-os muito!
Exatamente! Estou a falar dos B-O-M-B-E-I-R-O-S! Estou a falar daqueles homens - se calhar, já mais mulheres do que homens-, que têm um coração enorme, que bate orgulhosamente num compasso quaternário dizendo: -"SOU-BOM-BEI-RO!". Infelizmente, no meio do trigo, persiste em nascer o joio, o qual os lavradores cortam, põem a secar e, por fim, chegam-lhe o fogo! Desses poucos, falarei depois...
Ontem fiquei arrepiado! Cheguei a comover-me! No corredor das consultas externas das "Visicais" no 7º piso dos HUC, muitas conversas cruzadas provocavam um grande ruído, mas mesmo assim, eu ia escutando -sem que ela se apercebesse-, o que a Daniela contava.
A Daniela é uma moça loira, loira apenas naqueles seus cabelos compridos apanhados num simples rabo-de-cavalo, quarentona, meã, roliça "qb", com olhos claros, divorciada, cujos pais adotivos, já têm uma provecta idade (95 ele e 75 ela).
A Daniela tem bom gosto a vestir-se: trajava calças azuis escuras com vários bolsos e muito reforçadas; usava um cinto forte e largo vermelho; trajava um polo de manga curta vermelho vivo, lindo, com dizeres a branco escritos nas costas e calçava botas pretas, creio que eram antifogo.
Apercebi-me que ela desabafava em surdina com uma colega. Dizia, francamente comovida, que a Marilu (creio ter percebido este nome no meio daquele enorme ruído) era uma mulher de exuberante alegria que animava e alegrava os outros doentes que com ela faziam o tratamento da hemodiálise. Na sua "via sacra", foi decaindo, decaindo..., primeiramente sem canadianas, depois com elas, depois sem elas, mas em cadeira-de-rodas, depois sem cadeira, mas de maca, até que, um dia faltou ao tratamento, depois voltou a faltar mais e mais vezes, assim sucedia, sempre que era internada nas urgências...
Neste entretanto, uma amizade sincera, fora-se instalando entre elas. Um dia, andava a Daniela às compras, (a "esfarrapar" dinheiro, como as mulheres tanto gostam de fazer - palavras minhas!), e apaixonou-se por um boné de pala larga, em bombazine cor-de-rosa. Comprou-o para o oferecer à Marilu que, com lágrimas de sentida gratidão correspondeu àquele desinteressado gesto de amor e amizade.
Conversando durante uma das inúmeras viagens, a Marilu, à queima-roupa, disparou: - Daniela, prometes-me que vais ao meu funeral?;
Disse a Daniela que abanou com aqueles certeiros fogachos, mas que não caiu. Recompôs-se, e respondeu: - Se não fores ao meu, prometo-te que irei sim, Marilu!
Quis, quem manda nisto tudo de verdade! Quis quem manda até na mais sagrada promessa dum coração duma BOMBEIRA, que ela só dois dias depois do funeral da Marilu, tivesse sabido da sua morte!
Chorosa, sentida, desfeita, recriminou e ralhou com a filha da Marilu que, igualmente chorosa, sentida e desfeita lhe dizia que: a morte de um ente querido, mesmo quando esperada e, às vezes..., secretamente desejada - perante tão grande e pavoroso sofrimento -, nem por isso deixa de causar tão grande dor que até parece que nos deixa tolinhos, que até parece que andamos com os pés no ar, que até parece que estamos anestesiados e deixamos de raciocinar em condições. É verdade! É verdade! Já passei por isso mais do que uma vez, sei bem que é verdade o que a filha da Marilu disse!
Queres saber?- perguntou-me lavada em lágrimas. - Ela gostava tanto do boné que lhe deste, que me pediu que lho pusesse para baixar à terra com ele. Ia tão linda, tão linda... com aquele boné!
Terminou dizendo que, apesar de já se terem passado tantos anos, ela e os outros colegas que com a Marilu "amizaram", no dia de finados, lá se encontram à volta da sua campa para nela aconchegar a linda rosinha da eterna saudade!
Entretanto, o médico chamou por mim. Quando saí, já a Daniela se tinha ido. Não pude pedir-lhe autorização para contar esta maravilhosa história e fiquei sem saber a que corporação ela pertence.

Não faz mal! Esta história maravilhosa, com ambulâncias pelo meio, pertence a todos os B-O-M-B-E-I-R-O-S e pertence também a todos aqueles que:
- são acarinhados por vós!
- que gostam muito de vós!
- que vos admiram muito!
Obrigado do fundo do coração às (aos) milhares de D-A-N-I-E-L-A-S que neste país trajam com bom gosto!
Dedico este texto a esse mar de gente trajada daquele azul e vermelho. BEM HAJAM!

(Walter Ramalhete
Figueira da Foz, 27 de setembro de 2017)

PS: 1- Neste texto, quebrei uma regra gramatical "sagrada" relativa à concordância do género. Disse-me a minha professora primária que a regra era a seguinte: "Amachem as raparigas, mas nunca, nunca, amariquem os rapazes!" Por isso, "tadinhos" dos D-AN-I-É-I-S, desculpem-me! Também é vosso este texto!
PS: 2- A próxima história com ambulância pelo meio, intitular-se-á: " O trigo e o joio!"

*Este texto foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

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