Mr No Ears

O “Mr No Ears” é alvo, zarolho, um felino vadio que passeava em liberdade pelas falésias da Praia do Peneco, Albufeira, sem orelhas mas com um olho verde azeitona vigilante. No mês passado, um casal do Vale do Sousa, benemérito dos animais, encontrou “Mr No Ears” em aparente sofrimento, com chagas e odor fétido; imediatamente tratou e adoptou o Sr. Sem Orelhas; baptizou-o de Jack.
Acontece que “Mr No Ears” não pode ser apagado por Jack; o gatito branco tem uma página no facebook com 22 208 seguidores de 45 países; a Associação dos Amigos dos Gatos do Algarve utilizava a imagem do felino em campanhas de angariação de fundos; e uma página web internacional, o KittyArmy, garante que o “icónico” gato é o “rei leão” de Albufeira. Resultado: a Associação dos Amigos dos Gatos do Algarve seguiu para tribunal, acusou o casal benemérito do Vale do Sousa do crime de rapto de “Mr No Ears”...
No caso, não espanta o rapto em si, um gato concentra toda a doçura e gentileza do mundo, todo o homem almeja raptar um felino. Antes, a demonstração da impossibilidade prática de aplicar o imperativo categórico de kant na vida real. Recordam-se? “O imperativo categórico é portanto só um único, que é este: Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”.
O casal do Vale do Sousa encontra um gato em chaga, tal qual Cristo em sofrimento, gasta uma dinheirama numa TAC e em veterinários para o tratar - descobrem-lhe um cancro no que resta das “Ears” -, e depois surge uma associação de amigos dos gatos vadios que exige a restituição do felino!
O que nos serve agir “segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”?
Recebes refugiados da guerra da Síria em tua casa, mas pertences a uma Europa que factura milhões vendendo armas para o conflito; estudas afincadamente numa licenciatura que custa milhares ao Estado, mas a economia envia-te para o estrangeiro; trabalhas com esmero, tentando ser mais produtivo, mas o teu ordenado nunca sobe....
A felicidade no mundo apresenta-se como o “Mr No Ears”: preso no canil municipal do Porto, a aguardar o julgamento do caso...

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