Não queria ser poema

Que bonito sem fim.
Não queria ser poema. Gosto que tudo, que tudo, tenha um princípio, um meio e um fim.
Como eu, como aquele lenço de girassóis que calcorreei de propósito hoje no jardim. Que um dia morrerão e ninguém me culpará a mim.
Porquê? Sou dado como inimputável no que toca a flores e a jardins e a folhas de cetim. Estava chateado, preocupado com o poema. Sei lá, no seu bonito impróprio sem fim.
Os poemas não morrem. Não têm fim. Começam sabe-se lá onde e porquê. Não têm propósito algum (ou terão?), são o que são, e na sua (in)definição, batem à porta de um ou outro.
Quem abre a porta já parou, a olhá-lo antes, absorto. Ou então não, afugentam “os prosas”, que não escrevem no mesmo papel nem usam a mesma caneta de tolo a olhar para o sol, a pensar que também podia transformá-lo em cometa. Mas também os há.
Será que usam lambreta, que usam luneta? Oh Deus do jardim. Oh Deus, assim? Os poemas são assim? Que bonito sem fim. Ser poema é ser mil e um anos, ou (dois dias) ser rasgado e colocado no lixo “entre panos”, entre o que mais "(não) nele te vias".
Um poema, é um problema sem fim. Vão não se sabe bem até onde, quiçá, até onde conseguirmos ir com eles. Digo eu, o que dirá o jardim? Fazem sei lá o quê, em pessoas de não tens de quê ou em bestas de sofrimento que perguntam ao poema, mato-te com aquela pessoa, enterro-te até à última sílaba, ou entoo-te à ressoa, até todos não me verem mais como besta um dia?
Um poema, é um problema sem fim. E o futuro do poema? Com asas nos pés e balões nas pontas das mãos, voando pelas praças, onde vivemos dias sim e dias não.
São a nossa (des)graça. Às vezes, começam-nos a irritar a ponta do nariz, (tolos) estalando o mais belo verniz, engavetando o mais efémero "amor sim", enfim. Ou então não, criam as mais belas rosas com espinhos que nos abraçam em amores perdidos sem fim.
Não queira ser poema. Só se fosse no jardim.
Que bonito sem fim.

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