O Concelho que não desiste

Na noite do passado Sábado, a Figueira da Foz sofreu a passagem do maior furacão da história de Portugal. O resultado da breve passagem é catastrófico, nada previa que o vento fosse capaz de destruir por completo, vidros, árvores, instalações temporárias, telhados, edifícios industriais, áreas portuárias e até mesmo monumentos. Pouco escapou à fúria da natureza, sendo que as inúmeras imagens que circulam nas redes sociais chocam, surpreendem e mostram a destruição que encontramos um pouco por todo o Concelho.
Felizmente as pessoas do concelho da Figueira da Foz já têm provas dadas no toque a ultrapassar tragédias e os azares que a natureza nos traz. Quer em vidas humanas, quer em danos materiais. Como sabem o concelho da Figueira da Foz é caraterizado por enquadrar na sua sociedade, pessoas do meio urbano, do meio rural e da zona costeira.
As pessoas da Zona Costeira habituaram-se aos avanços e recuos do mar, que por vezes afetavam os seus bens e habitações e que muitas vezes obrigaram a começar do zero. No entanto esse mesmo mar também levou muitas vidas, vidas de pescadores, homens que apenas estavam a lutar pelo seu ganha pão e que muitas vezes ficaram no mar, autênticas tragédias que aconteceram demasiadas vezes para olharmos para elas como simples mortes humanas. Infelizmente, as pessoas do mar sabem bem o que é uma tragédia, porém, também sabem bem o que é recuperar dessas maleitas.
Os figueirenses da Zona Rural também sabem o que é sofrer com a natureza, aliás, durante vários séculos a sua qualidade de vida teve diretamente ligada à vontade da natureza. Até há bem pouco tempo, um ano meteorologicamente atípico era o suficiente para as culturas não produzirem o sustento familiar, sendo que a fome era infelizmente bastante comum. Também os incêndios foram sempre um grande inimigo da sociedade rural figueirense, basta recordar o ano de 2005, onde todas as freguesias do concelho foram afetadas por incêndios, para saber o que é o pânico e o medo permanente. Nas freguesias ribeirinhas, infelizmente a tragédia também foi superada várias vezes nas últimas décadas, as famosas cheias do Mondego, também afetaram as nossas populações. Estas populações revelaram variadíssimas vezes aquilo que os distingue, nunca baixar os braços, mesmo nos momentos mais difíceis.
Os Figueirenses do Meio urbano também já demonstraram várias vezes que são capazes de recuperar a sua cidade, tomemos a rua da república como exemplo, quantas vezes aquela rua ficou inundada, quantas vezes estes comerciantes devem ter pensado na relocalização. No entanto sempre ultrapassaram as cheias e mostraram a sua capacidade para de regeneração e recuperação.
Este furacão é sem dúvida nenhuma o maior desastre material que alguma vez aconteceu no nosso concelho. Mas a história das nossas gentes mostra variadíssimas vezes aquilo de que somos feitos, somos um povo resiliente, resistente, forte, mas acima de tudo muito apaixonado pela sua terra. Todas estas caraterísticas, têm vindo ao de cima nesta semana. Os nossos jovens demonstraram isso mesmo, com a mobilização de mais de 60 cidadãos no dia de ontem para limpar a cidade. Estou certo que o nosso concelho vai recuperar rapidamente, porque foi isso que fizemos no passado e é isso que estamos a fazer agora.

 

 

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