O homem que sabia tudo

Era uma vez um homem que com a sua ambição, a sua astúcia, os seus conhecidos, os seus amigos, a sua verborreia, o seu “golpe de cintura”, e o seu trabalho também, conseguiu construir um império. Não um império financeiro, mas um império de poder, de influência e de culto da imagem.
Nos meios onde se movimentava não se limitava a estar, a participar, a fazer, a dar. Ele tinha que reinar. Gabava-se de saber tudo o que se passava nas esferas que geria; de ter olhos e ouvidos em todo o lado que o mantinham ao corrente de tudo; de ter amigos nos jornais… Era o impulsionador, sem dúvida, mas também o decisor, o manipulador e o todo-poderoso. À sua volta todos acenavam a cabeça. Bajuladores e “yes-men” eram os seus colaboradores favoritos. De vez em quando, num gesto magnânimo, aceitava rodear-se de alguém que talvez não fosse tão submisso, mas depressa se arrependia - era uma maçada lidar com gente que pensava pela sua própria cabeça e que tinha a veleidade de o alertar, corrigir ou criticar olhos nos olhos. Isso era noutros tempos! Agora, ele sabia tudo!
Um dia a história deste herói começou a mudar de rumo. Notava-se desconforto entre os seus súbditos – que ele tentava ignorar ou desvalorizar; ouviam-se rumores sobre procedimentos, atitudes, ou métodos menos ortodoxos - que ele tentava sacudir como infundados; era questionado sobre práticas menos adequadas perpetradas sob a égide de alguém de toda a sua confiança – e ele rapidamente encontrava um bode expiatório (de preferência já morto…).
A sua credibilidade começava a desmoronar-se sem que ele se apercebesse disso. Ou talvez não! Talvez se apercebesse e por isso continuasse a disparar à esquerda e à direita, ameaçando com castigos e tortura quem se interpusesse no seu caminho de glória, enquanto protegia cegamente os que o tinham protegido até então.
Não foi um fenómeno repentino nem aconteceu por acaso. Afinal, o homem que sabia tudo não sabia o essencial: que os amigos verdadeiros não dizem que sim a tudo; que nem sempre os lacaios são tão fiéis como fazem parecer e que por detrás da aparente fidelidade há interesses pessoais ocultos; que a ambição desmesurada corrói e corrompe; que o sucesso não vale nada quando para o atingir se desprezam princípios e ignoram valores.

 

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