"O Prof!"

Era um verdadeiro professor!
Não era nada convencional, mas era um extraordinário professor! Era aquilo que um professor deve ser. Creio que eu era dos poucos que conseguiam vê-lo como ele era de facto! Contrariamente, a maioria dos meus colegas apenas o viam de fato! (Passarei a escrever os meus textos segundo a ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico, para que nunca mais se confunda um f-a-c-t-o com um f-a-t-o -coisa tão triste!-, e para que se diga de vez: "p-á-r-a!", à patetice e, não se lhe continue a dar azo p-a-r-a...) Eu via-o como se ele fizesse o pino com uma só mão sobre o canto da secretária, enquanto que, os meus colegas apenas conseguiam vê-lo a gesticular desesperadamente na vã tentativa de lhes meter a informação e a formação nas ocas cabeças.
Ele era genial! Não me esqueço. Nunca mais me esqueci daquele teste de escolha optativa entre um teste convencional (teste com várias perguntas sobre a matéria, com as perguntas divididas por vários grupos) e aqueloutra folha de papel impressa com quatro tiras de "banda desenhada" - da Mafaldinha e doutras - que apenas dizia: "Baseando-te nos teus conhecimentos, comenta desenvolvidamente as gravuras!"; Aquela única pergunta não podia ser mais simples, aliás, nem sequer era uma pergunta, era uma sugestão encapotada sobre uma aparente ordem.
Para mim, e para mais uns poucos, muito poucos, foi uma novidade. Para mim, foi como se uma enorme janela se tivesse aberto e tivesse entrado na minha mente a claridade resplandecente dum radioso sol. Zás!!! Que maravilha! Que fixe!
Naquela resposta, podia divagar devagarinho..., podia também divagar a toda a pressa! À pressa ou devagar, podia divagar sem ter que me preocupar com os claustrofóbicos limites das cerceantes perguntas que, como grades, conduzem-nos o pensamento, como se conduz o gado para o camião que o transporta apressadamente, em magotes "rebanhosos" e remansosos, para o matadouro da criatividade, donde, depois, as ideias saem embaladas de acordo com o convencionalmente estatuído como certo, aceitável e pretendido. Lá, nesse matadouro, a morte da criatividade e da inteligência é selada com aquele ilusório vinte que uniformiza por baixo...
Uau! Uau! Exultei! Pela primeira vez, o meu veloz pensamento -enfim liberto!-, poderia correr o seu caminho sem metros, sem barreiras e sem as limitadoras e atrofiantes riscas persistente e atavicamente traçadas por outros. Poderia deixá-lo correr ou discorrer pela pista de tartan incolor, de todo invisível, sem meta à vista! Podia, enfim, soltá-lo...
Hoje, sei que aquele professor estava muito à frente do seu e do meu tempo. Estava muito à frente daquele tempo! Mais tarde a Google e a Microsoft vieram a pôr em prática muito daquilo que ele, naquela altura, já pressentia ser o caminho para ministrar, prosseguir e perseguir o conhecimento e a criatividade.
Muito antes destas poderosas multinacionais, ele já havia entendido que a inteligência precisa de: ar; precisa de respirar; precisa de luz ou escuridão; precisa de ser estimulada; precisa de se expandir; precisa de se soltar como um libertino ou de se aprisionar como um masoquista; precisa dos seus "clics"!, sejam eles quais forem: seja um sofá macio, seja uma bola e um cesto, seja o chão áspero; seja um cachorrinho aos pés do pensante ou um gato ao seu colo; seja um cachimbo preso entre dedos e donde foge, numa espiral ondeante e ascendente, uma nuvem de agradável aroma, enquanto o pensante fumador, distraído, corre atrás da sua mente liberta, cujos pensamentos se ocultam atrás do fumo, como fazem as crianças a brincar às escondidas; sejam os sons tumultuosos das insónias, abafados pelos silêncios ensurdecedores e exasperantes das noites cobertas por céus brilhantes, onde as divagações e os pensamentos vagabundos e desregrados tecem descobertas de sonhos inebriados por conexões inesperadas; sejam os acordes roufenhos duma guitarra elétrica desafinada e estimulada por uma voz berrante, libertadora de golfadas de rugidos de insatisfação produzidos por um "macacoide"; seja o melodioso som sangrado por um violino acariciado pelo irrepetível Paganine; seja...
Aquele "Prof", era o oposto destoutro que me lecionou a disciplina de Introdução à Psicologia e que, nas aulas, reproduzia o decorado livro e depois, exigia que as respostas dadas nos testes, fossem "ipsis verbis", como vinha escrito naquele livro.
Estoutro, foi bem sucedido na vida! Fez carreira! Reformou-se no topo dela e, ao longo da sua vida profissional, deformou centenas de mentes de alunos que se tornaram, também, bem sucedidos, carreiristas que igualmente chegaram ao topo das suas medíocres carreiras! Ah! Como lhe devem estar agradecidos! Que belo pântano criaram! Criaram este pântano onde vivem felizes e refastelados, criaram este pântano onde sou obrigado a viver.
Daqueloutro, nunca mais soube! Tenho pena! Estoutro, vejo-o frequentemente, está gordo e luzidio. Vejo-o passeando descontraidamente, montado na sua substancial reforma, fazendo-me em tudo, lembrar uns outros, aos quais os transmontanos chamam cevas, e que apenas engordam. Estas, são também gordas e luzidias, chegam a atingir, frequentemente, mais de 200 quilos.
Entristece-me constatar que Portugal é um grande produtor, a nível mundial, de cevas!
Concluo: "Estás mal? Muda-te!" (Estas palavras são exclusivamente para mim!)
-« Para onde?... se o mundo é mesmo assim!...» -interrogo-me?
Mudemos a expressão: "Estás mal? Afasta-te!
- Com muito regozijo, respondo: «Já há muito tempo que o fiz!!!!»
Texto: G-R-I-T-O!

 

COMENTÁRIOS

ou registe-se gratuitamente para comentar.
Critérios de publicação
Caracteres restantes: 500

mais

QUEM SOMOS

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.

CONTACTOS

967 249 166 (redacção)

910 496 991 (comercial)

geral@figueiranahora.com

comercial@figueiranahora.com

design by ID PORTUGAL