O sono dos sonhos, os sonhos do sono

sonhos, sei lá o que me são
nem tão-pouco
para que me servem
para que sim
para que não
se dão
ou não me dão
nem porque me fervem
e me arrefentam
na praia abandonada
de barco sentado
a fingir-se de espanada, e
alojado em mim
a sua gente
pouco se é, “nada”
no meio ao de longe
vejo uma praça
dou mais meia volta na cama
e aparece-me a sombra de mil girassóis em Victória
uma semente do barco vazio
que conseguiu cair por milagre
em terra molhada
mais uma e outra história
do meu olhar nu e frio
no íntimo de uma taça
de vinho
essa água suja de beber
de toda a mirada
que se quer e não se quer
ver a viver
os meus olhos meãos crus
tinto-coloridos
emudecem
para que nada ague
esses sonhos
esses castelos e seus donos
sinais de quem quer mais
nem diz sonhar só por dizer
já há tanto mais por se saber
julgando, não julgues um só
um sonho tem de se ser
queridos e não queridos
sonhos de esvoaças fadas
pesadelos de caldos de mãos mal estimadas
em troca de poucos nadas
de sonos ao de leve pensados
ou arranca berros de alvoradas
são-me roubadas assim as madrugadas
e eu de mãos vazias
no fim das noites
nos princípios das inexecuções
do dia,
esse solto fio de recorte
onde tudo inaugura
tudo imagina
esse pequeno nada
esse karma
sorte ou bala
(diz-me em segredo)
dança, dança comigo
a dança do balão
sem nó
nem aperto
nem puxão
só ar
só eu e tu e eu
não sei o que me deu
só sei que não quero
sonhar mais nada

 

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