O templo do meio dia

É meio dia, o tempo ameniza os anseios, chega aquela hora boçal do dia em que nos encontramos, onde nos vemos e nos damos. Como se tudo seria.
Somos perfeitos estranhos, esses e essas urdes.
(Perfeitos Doroteios).
Ou pelo menos tentamos, seduzidos pelas figuras de Ex humanos.
E eu, esperei até ao meio dia, à espera que sejamos, que estejamos, onde a vela mais nos arde, nas tuas e nas minhas cruzes. Onde nenhum de nós se queria ver, e seria.
Vens de olhos espartanos, eu não desvio o meu olhar do altar, imagino-me a ser tudo, menos a louvar. Honrar, honra-se a Deus, aqui de frente, de joelhos, para o altar, penso, que maus olhos, os meus.
“Temos de amar mais, e desapegar-nos das coisas materiais”, afiançou uma vez, Thaísa Dias.
Ao lembrar-me disso, e ao ver o teu ar esquiço, descompasso-te a fala, ainda por cima falas com a língua endenta de ferro e sedente de solda nos pés. Onde não te quero. E de onde tu és.
Ao meio dia, és. Somos.
Também não te digo: “fala”.
O amor também cala.
Com o tempo desconheci as tuas marés.
Nem sei quem és.
Uma perfeita estranha, feita no reboliço das marés.
Uma miséria casualista, a carne que insta, o cruel inventor que secunda a alma, ao sabor do bom esterco da carne que também nos fala ao coração. Na sua arte de artéria limpa de pau-de-sabão no sujo de mais um cabrão que me passa pela cabeça ou pela mão.
O Coração, esse nome caprichoso dado à região, onde começa e acaba tudo em nós. Ouves cantar salvas santificadas de doutrinas de bem-querer? (como se eu não fosse reparar que não somos só nós aqui, a viver e a morrer).
O meio dia.
Com ou sem opção, beijamos os pés do santificado turbilhão de engasgos de antipatia mútua e damos abraços eternos e nus, em vão, em demasia, em homilia dupla.
De ti, nada e tudo eu queria.
O passado, sem memória, não vive virtudes. Só imagina.
Todo o mar é maresia.
É meio dia.
Somos perfeitos estranhos, esses e essas urdes.
Deveras mentira, tudo é mera casualidade, por fora.
Por dentro, toda a matéria arde. Só por estar na hora.
É meio dia.
Mais um dia no templo lá para a frente, um outro meio dia.
Como diria São Padre Pio de Pietrelcina “Desapeguemo-nos passo a passo das coisas terrenas.”
Ao meio dia.

 

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