OS BAILARINOS DE DEUS!

A leitura é um modo maravilhoso de "viajarmos" e de adquirirmos conhecimento do mundo em que vivemos.
É talvez o modo mais simples, mais confortável e mais barato de viajar e adquirir conhecimento.
Não é a primeira vez que digo que a riqueza e a beleza duma obra, dum texto ou dum poema está igualmente na capacidade do receptor ou leitor os interpretar, de os assimilar e de os relacionar. A este propósito, gosto de citar a magistral frase de Fernando Pessoa que diz: "Um poente é um fenómeno intelectual" (in O Livro Do Desassossego).
Efectivamente, ler é muito mais do que devorar livros, é muito mais do que "papar" frases a eito, como fazem os automóveis nas autoestradas quando percorrem milhares de quilómetros numa velocidade estonteante.
Ler, também já o disse, é sentir o pulsar das palavras, é saboreá- -las, é mergulhar na pontuação da frase, é respirar com elas, é captar a imaginação e a inteligência com que o autor alinha o discurso, é relacionar e raciocinar sobre aquilo que o texto nos diz, é embrenhar-mo-nos na sua lógica e é, também, quando o tema e o texto nos permitem, fazer a comparação, fazer a análise e os saltos históricos adequados.
Posto isto, com a última frase atingi a ponta do raciocínio que percorri de forma espiralada até chegar aonde pretendia: " ... e é, também, quando o tema e o texto nos permitem, fazer a comparação, fazer a análise e os saltos históricos adequados".
Entre outros, -porque, normalmente, leio sete ou oito livros simultaneamente-, estou a ler um livro intitulado: "CONGO", editado em 1980 e escrito por Michael Crichton e publicado em Portugal pelo Círculo de Leitores em 1982. Portanto, este livro foi escrito há 38 anos. Sem que nos apercebêssemos, tratava-se de um livro premonitoriamente negro!
O seu autor antecipou com precisão a evolução dos computadores, a sua importância e o seu futuro papel na espionagem científica. Utilizou uma linguagem e explicações técnicas que naquela altura eram quase herméticas, apenas entendíveis pelos "experts" na matéria, mas que hoje, acompanhamos quase com a mesma facilidade com que vemos as horas.
Também fez uma antevisão política e geoestratégica daquilo que viria a ser o papel dos Chineses no mundo e em particular em África e na exploração desenfreada dos seus recursos e riquezas naturais.
Contudo, fiquei verdadeiramente estarrecido, quando, a partir da página 180, li aquilo que passo a transcrever:
"Se Elliot tinha a desconfortável sensação da floresta equatorial como sendo o domínio do animal, Karen Ross encarava-a sob o ponto de vista de recursos - em que ela era pobre. Não se deixava iludir pela vegetação luxuriante e desmedida, que sabia representar um extraordinariamente eficiente ecossistema construído em solo virtualmente desolado1.
As nações em desenvolvimento não tinham consciência desse facto; uma vez desbravado o solo da floresta este revelava-se surpreendentemente pobre. No entanto as florestas virgens estavam a ser desbravadas a uma velocidade incrível de 50 acres por minuto, dia e noite. As florestas do Mundo tinham rodeado o equador de uma cintura verde durante pelo menos 60 milhões de anos - mas o homem tê-las-ia desbravado em menos de vinte anos.
Esta destruição em larga escala causara algumas preocupações que não eram partilhadas por Ross. Duvidava que o clima do Mundo se alterasse ou que o oxigénio da atmosfera ficasse reduzido. Ross não era alarmista e não se deixava impressionar pelos cálculos daqueles que o eram. A única razão porque se sentia preocupada era por a floresta ser tão mal compreendida. Um desbravamento a uma velocidade média de 50 acres por minuto significa que as espécies animais e vegetais se iam extinguindo à velocidade incrível de uma espécie por hora. As formas de vida que tinham evoluído durante milhões de anos desapareciam em poucos minutos e ninguém podia prever as consequências dessa destruição. A extinção das espécies realizam-se muito mais depressa do que as pessoas julgam e as listas publicadas das espécies em perigo contavam apenas parte da história; o desastre estendia-se aos animais, aos insectos, às plantas e aos musgos.
A verdade é que ecossistemas inteiros estavam a ser destruídos pelo homem sem qualquer sombra de preocupação. E esses ecossistemas eram na sua maior parte misteriosos e pouco entendidos. Karen Ross sentiu-se mergulhada num mundo inteiramente diferente do dos recursos minerais. Naquele mundo as plantas reinavam. Não era de admirar que os Egípcios chamassem àquela região a Terra das Árvores. A floresta equatorial fornecia um ambiente no qual as plantas se desenvolviam como numa estufa. Naquele ambiente as plantas gigantescas eram muito superiores e muito mais favorecidas- do que os mamíferos, incluindo os insignificantes mamíferos humanos que abriam agora caminho através daquela escuridão perpétua".
1 O ecossistema da floresta equatorial é um complexo de utilização de energia muito mais eficiente do que qualquer sistema de conversão de energia desenvolvido pelo homem. Ver C. F. Higgins et al., Energy Resources and Ecossystem Utilizations ( Englewood clifs, N.J. , Prentice Hall, 1977), pp. 232-255.

Quase me recuso a acreditar que há 38 anos um mero escritor ( um ATALAIA) GRITASSE tão alto, -gritasse a plenos pulmões-, a desgraça que sobre nós se estava a abater devido aos crimes e aos vandalismos ambientais e ecológicos que se estavam a cometer.
Só posso concluir que nada se fez, que o "governo mundial sombra" nada fez, ou melhor, tudo permitiu e tudo fez com vista a chegarmos ao ponto a que chegámos, porque existia e existe um plano com esse propósito que está a ser minuciosamente executado.
Nada acontece por acaso!
Não é por acaso que:
- A Arábia Saudita no passado dia 20 de Agosto do corrente ano de 2018 decapitou a jovem Ezra Al Gham, uma activista dos direitos da mulher e, nem a imprensa, nem nenhum governo europeu se manifestou.
- A mesma Arábia Saudita, com o governo mais misógino do mundo, foi eleita para a Comissão dos Direitos da Mulher na ONU, Comissão que tem por objectivo, pasme-se, promover a igualdade de género e os direitos das mulheres.
- Com o silêncio, -cúmplice na culpa-, de governos europeus e da imprensa, jovens africanos são flagelados, martirizados e comercializados como escravos na ruas da Líbia.
- Cristão são mortos nos países islâmizados por professarem a sua fé.
- Milhares de crianças estão a morrer de fome em África sem que a dominada comunicação social noticie convenientemente.
- As pátrias de milhões de seres humanos estão a ser destruídas e eles são deslocalizados à força, com todas as nefastas consequências para eles e para nós a que, impavidamente, vamos assistindo...
- A que razões, a que interesses, a que planos, a que ordens, se submete esse "governo mundial sombra" que a todos nos submete? Quem são eles? Porquê? Para quê?
- Estamos a ser alvo dum plano muito sinistro que passa, também, pela idiotização da sociedade como estratégia de dominação, que..., que... abramos os olhos quanto antes..., que pensemos a sério no que está a acontecer..., é por isso que às vezes, os diferentes canais de televisão entram num desvario, entram numa feroz competição, pagando uma exorbitância salarial pela contratação duma apresentadora que: - até tem uma carinha bonitinha? Sim!; até tem um riso fácil, contagiante, encantador e que prende? Sim!; até tem um corpinho agradável de se ver? Sim!; até é loirinha, mas não é nada burrinha?... Sim!; Entretanto, ela distrai, prende, amarra o pensamento de milhares de espectadores sem nada lhes trazer de verdadeiramente válido, sem lhes trazer nada mais do que nada! Nada! Nada! Nada! Trata-se apenas dum verdadeiro e eficaz travão do pensamento!
Apetece-me terminar parafraseando um chavão muito comum que diz assim: "Ler (bem) é perigosíssimo porque mata! Mata a ignorância!"; (bem) é um acrescento meu, é uma veleidade muito minha!

A propósito do título transcrevo daquela citada obra: "Os pigmeus foram os primeiros habitantes da floresta equatorial do Congo. O seu pequeno tamanho e a agilidade tinham feito com que eles fossem famosos centenas de anos antes. Há mais de 4 mil anos, um comandante egípcio chamado Herkouf entrou na grande floresta a oeste das Montanhas da Lua; encontrou ali uma raça de pequenos homens que dançavam e a cantavam ao seu deus. O relatório de Herkouf tinha o cunho da veracidade e Heródoto e mais tarde Aristóteles insistiram no facto de as histórias desses homenzinhos serem verdadeiras e não fabulosas. Os Bailarinos de Deus foram adquirindo aspectos místicos à medida que o tempo ia passando". pp 186.
Texto GRITO!

*Este texto foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

 

COMENTÁRIOS

ou registe-se gratuitamente para comentar.
Critérios de publicação
Caracteres restantes: 500

mais

QUEM SOMOS

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.

CONTACTOS

967 249 166 (redacção)

geral@figueiranahora.com

design by ID PORTUGAL