Crónicas de tudo e de nada: Os pequenos poderes

Se há problemas sociais que me incomodam, o abuso de poder é seguramente um deles. Fruto normalmente de pouca inteligência e nenhum respeito pelos outros, a leviandade, irresponsabilidade, crueldade por vezes, com que pessoas a quem foi dado um “pequeno poder” o exercem, é uma condição doentia a que as ciências psicológicas chamam “Síndrome do pequeno poder” definido por “atitude de autoritarismo por parte de um indivíduo que, ao receber um poder, o usa de forma absoluta e imperativa sem se preocupar com os problemas periféricos que possa vir a ocasionar.”
E quantos destes doentes encontramos todos os dias e nos “chateiam de morte” ou mesmo nos infernizam a vida nos serviços, nas repartições, nos locais de trabalho, no comércio? Quem nunca teve que conviver ou até sofrer o assédio moral da posição autoritária e muitas vezes rude do porteiro com o “poder” de decidir quem entra e quem não entra na porta que lhe foi dada para “guardar”; do fiscal que se sente no direito de tratar mal trabalhadores, donos das obras ou até clientes da empresa, porque no seu entender não estão a cumprir o que eles acham que são as regras; do funcionário da repartição que faz questão que complicar ainda mais a já complicada burocracia em que vivemos; do chefe de serviços que se vê promovido ao lugar com que sonhava há anos e de repente se acha o dono dos colegas de trabalho, o patrãozinho em miniatura; do staff da boutique de luxo que se deixa inebriar pela “griffe” que vende sentindo-se de repente tão grande como a própria marca, e olha os potenciais clientes de alto a baixo como se a tentar vasculhar-lhe o plafond do cartão de crédito; do empregado de competência duvidosa que se vê director de um clube ou associação com algum prestígio; do quase analfabeto atirado para a ribalta da política por puro populismo partidário?
São, na maioria das vezes pessoas com baixa formação moral, emocionalmente desequilibradas ou carregadas de frustrações pessoais que acham que “medo” é sinónimo de “respeito” e sentem que a forma de se afirmarem é praticando o abuso de que provavelmente foram vítimas.
Tristes almas pelas quais, confesso, sinto um enorme desprezo.

 

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