Planos!

Nunca colecionei nada: nem carrinhos, nem cadernetas, nem livros, nem, nem, nem..., mas sou um inveterado guardador de memórias, sonhos, sabores, sensações e sentimentos.
Tenho o meu passado e o passado que por mim passou e aquele pelo qual fui passando... muito bem guardados dentro de mim como se fossem filmes com cheiros, sabores, sensações e tudo o mais que me preenche a vida.
Sempre fui muito curioso. Fui sempre - para não dizer simplesmente que sempre fui- sedento de conhecimento. Ainda hoje sou assim! Ainda hoje procuro ver tudo aquilo que não me é intencionalmente mostrado.
É por isso que ao observar qualquer coisa, uma fotografia, uma imagem, uma paisagem, ao ouvir uma música ou ao ler um poema vou à procura daquilo que está no segundo plano ou até muito mais atrás. Às vezes é necessário ignorar as evidências para nos apercebermos evidentemente delas - a redundância é evidentemente arredondada e intencional!
- << - Tens uma forma de escrever entrelaçada! É necessário estar constantemente a assoprar para destapar a ideia principal. É labiríntica, entediante e desmotivadora! - Olha! Geralmente desisto a meio!>> - disse-me com detractora e acutilante pontaria, embora não fosse preciso tanto... As histórinhas do Lobo Mau e a da Gata Borralheira são umas óptimas alternativas..., mas desaconselho a Mafaldinha porque já exige muito mais.
Então, como estava a dizer..., porque sou muito curioso e porque me foco muito nos segundos, nos terceiros planos e no mais que consigo alcançar gosto de visitar antiquários - não gosto de museus, porque sou como os espanhóis, gosto de ver com as mãos.
Neles procuro especialmente postais e fotografias. Nos postais e nas fotografias para além de procurar os tais múltiplos planos, também me delicio a espreitar- -lhes as costas à procura das dedicatórias e doutros planos que foram...
Concretamente, estou a recordar-me da fotografia que vi duma mulher linda, madura com um olhar sereno, confiante e muito seguro. Encantou-me! Não resisti e ... zás! Voltei-a de costas! Não me decepcionei! Bateu certo, certíssimo! Lá estava escrito numa caligrafia aguda, firme e indubitavelmente masculina: << Até o céu se põe lindo para tirar fotos contigo minha querida!>> Zás!!! Pus-me novamente de frente para a ela, e... lá estava no segundo plano o céu lindo de lindo azul e no terceiro plano nuvens sorridentes e alegres a fazerem-se à fotografia.
Soltou-se-me a imaginação!
Comecei a imaginar quem poderia ser aquela bela e tão amada mulher? E...quem seria aquele homem seguro, romântico e tão perspicaz?
Ele amava-a, certamente!
E ela?...
Passo-vos a caneta e o sonho..., prossigam..., completem..., sejam por instantes um deles ou até os dois...

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