Que mal fez a margem sul ao concelho?

Dou por mim a pensar as desigualdades que existem no concelho da Figueira da Foz, mais precisamente numa ótica de juventude.

Podemos considerar que os jovens da chamada “zona urbana” são uns privilegiados, infelizmente não é apenas na Figueira da Foz, é uma realidade que se estende a todo o país. No entanto, por cá, e para um concelho como a Figueira da Foz, o fosso é grande de mais!

Este fim de semana, consequência da possível instalação de um ponto de tratamento de resíduos na Freguesia da Marinha das ondas, gerou-se uma manifestação como eu nunca vi no concelho. Talvez porque a minha idade não me permite ter vivenciado as revoluções dos anos 70 e 80. Mas tal como eu, a totalidade dos jovens que nela participaram.

Preocupa-me, enquanto jovem, enquanto Figueirense e enquanto presidente de uma Juventude partidária do concelho, o caso da Marinha das Ondas e das freguesias da chamada “margem sul”.

Podemos muito em breve verificar uma emigração em massa de jovens residentes na zona sul do concelho para o concelho vizinho de Pombal. Estes jovens encontram dificuldades no que diz respeito ao transporte escolar, uma vez que os jovens da Marinha das ondas, e apesar do novo autocarro disponibilizado pelo município às freguesias, ainda têm de pagar 30 euros mensais, coisa que em Pombal não acontece.

O novo PDM (Plano Diretor Municipal), como é do conhecimento de muitos, reduziu a capacidade de construir habitações nas freguesias, levantando assim uma barreira para os jovens que queiram morar na sua terra natal.
O IMI tem o valor que se conhece, perante isto podemos encarar a construção de uma casa nas freguesias como uma verdadeira batalha que nem todos têm a sorte de conseguir vencer.

Quando falamos da Marinha da Ondas, falamos da freguesia que provavelmente - e salvo o erro - é a que maior derrama proporciona ao Município.
A população é fustigada há anos com maus cheiros, poluição, o que se traduz num incómodo constante para os moradores. Será que esta freguesia merece ser castigada com a instalação de mais uma indústria? Nomeadamente de tratamento de resíduos?

Preocupa-me muito esta questão.
Os mais velhos, e como ouvi durante a manifestação, já estão habituados a estas condições. Contudo, a maior preocupação é o futuro dos seus filhos e netos!

Confesso que partilho integralmente das suas preocupações, temo uma fuga em massa dos jovens para outros concelhos vizinhos, onde possam encontrar melhor qualidade de vida.

Reconheço que nos dias de hoje o tratamento de resíduos é importante, mas mais importante do que isso é a vida das pessoas. Esta zona está mais do que castigada por indústria, não podemos ali colocar tudo aquilo que mais nenhuma população quer!

Numa pequena distância a poluição que existe... Espero que os autarcas locais e vizinhos, assim como os deputados que abraçaram esta causa, lutem por combater esta desigualdade que tende a acentuar-se.

Se eu assim penso, quanto mais não pensarão os jovens que lá residem.
Adormeci no domingo com uma das frases que me ficou na cabeça. A voz de uma menina com cerca de 8 anos de idade que se questionou: “que mal fizemos nós para termos sempre o ar a cheirar mal?”.

Agora pergunto eu: que mal fez a Margem Sul ao Concelho?

 

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