Será Hamlet um desentendido? (conflito edipiano)

Nota: A maior parte deste texto não é da minha autoria mas sim da minha busca de, em e por Hamlet.
Preconizei esta súmula ao som de Yann Tiersen - Porz Goret.

A tragédia de Hamlet, escrita em 1601, há quatro séculos, foi objecto de um número infindável de ensaios. As acepções psicanalíticas têm uma história tão longa quanto a história da própria psicanálise. Favorita de Freud dentre as obras shakespearianas, a peça foi citada por ele em vinte e três textos, se incluirmos a primeira citação, em carta de 15 de outubro de 1897 a Fliess.
Na maioria dos trabalhos psicanalíticos sobre Hamlet encontra-se a questão residual: qual o motivo da hesitação do príncipe da Dinamarca em vingar a morte do pai, vítima de tão escandaloso fratricídio? É para o complexo de Édipo que Freud aponta ao dar a sua resposta.
Vários discípulos, cada um a seu modo e belo pensar, deram interpretações, apensos, seguindo a metapsicologia do mestre: destaca-se Ernest Jones, Otto Rank, Melanie Klein e Lacan que, em 1954, dedicou uma série de seminários ao estudo de Hamlet, reforçando, naquela ocasião, a elaboração da sua teoria do complexo de Édipo (Lacan 1989). Winnicott apresenta algo de novo quando, em 1966, recorre à mesma tragédia para apresentar a sua teoria da dissociação entre os elementos masculinos e femininos da personalidade.
A peça deixa entender que tudo corria bem com o príncipe da Dinamarca: querido pelos amigos e idolatrado pelos súbditos, era amado pela adorável Ofélia, filha de Polónio, o conselheiro do Rei. Com a morte do pai, surge uma grande mudança nos planos relacionais e comportamentais de Hamlet. Freud parece não ter dúvidas quanto ao diagnóstico da doença do príncipe. Para ele, Hamlet, portador de um sério e grave distúrbio neurótico,apresenta-se como um perfeito histérico. Como é que o histérico Hamlet consegue justificar as suas palavras: "Assim a consciência nos torna a todos covardes"? O engano de Freud foi considerado pelos seus seguidores como um acto falhado ligado ao seu próprio conflito edipiano.
Na interpretação dos sonhos (1900), Freud recorre, novamente, à tragédia de Hamlet ao indagar: "O que é, então, que impede Hamlet de cumprir a tarefa imposta pelo fantasma do pai?".
E ainda me pergunto, Hamlet? Pai?

 

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