Simplesmente, adeus!

Peço-vos que não tomem este texto como sendo uma apologia ao suicídio!
Mas, garanto-vos que as pessoas fracas não se suicidam!
Quanto sofrimento, quanta dor, quanto desespero, quantas desilusões, quantas decepções, são necessárias para tresloucar as pessoas até este consciente e assumido acto? Até este irretrocedível ponto?
O suicídio é uma partida antecipada, programada, muito pensada e, quase sempre, inúmeras vezes avisada. É uma ida sem regresso, sem ilusões, sem arrependimentos e sem possibilidade de desistência.
É um abandono, é uma desistência, é uma toalha atirada ao chão por quem já não quer voltar a levantar-se. É uma desesperada confissão, é uma desmedida assumpção dum fracasso que pode nem sequer ser realmente um fracasso tão grande quanto é o fracasso de deixar-se morrer aos poucos, de deixar-se apodrecer vivo.
O suicídio causa dor! Dói! Dói muito, mas dói ainda muito mais, quando é cometido por alguém que preparou para a vida, tantas, tantas crianças!; dói!, dói muito, dói muito mais quando ouvimos o coro lamentoso daqueles, -agora adultos-, que receberam no colinho bondoso do suicida, os conhecimentos e a preparação para viverem com êxito! - sinal indiscutível de que a Sra. professora os preparou bem!; o suicídio causa dor!, dói!, dói muito, dói muito mais quando constacto que ela tinha praticamente a minha idade...
Ele faz-nos pensar..., e quando pensamos, sentimos que, com aquele tresloucado acto, também se perdeu, também se foi, um pouquinho de nós! Ele faz-nos pensar, faz questionar-nos: - Onde estávamos? - O que estávamos a fazer que nos ocupou tanto, ao ponto de nos ter impedido de ouvir os seus desesperados gritos silenciosos..., ou talvez não?!!!; - Sim!; Sim!, o que foi que nos distraiu tanto da vida ao nosso redor, da vida que nos cerca, sobretudo, da vida que grita com desespero?
Sinto-me como Pilatos, que apesar de ter lavado cuidadosamente as mãos, não as sentiu limpas!
Senhora professora, descanse em paz! Que lhe seja leve..., porque pesada, muito pesada, foi a última lição que em portentoso grito, nos deu!

(Figueira da Foz, - muitos dias depois -, 16 de Setembro de 2018)

*Este texto foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

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