SUFRAGAR A VERDADE

Por ocasião dos protestos ao abate de árvores recentemente sinalizadas com uma cruz, confrontado o poder local com tal facto, veio a confirmar-se aquilo que mais receava: nem o próprio executivo camarário está muito ciente que obras ali andam a ser feitas, conforme resulta, aliás, das declarações do Presidente da CMFF ao Notícias de Coimbra em 16/08/2018 –“(…) verifiquei agora, porque a gente também vê os projetos por amostragem, que efetivamente há árvores de grande porte que pela sua natureza, pela sua beleza e pelo seu impacto merecem a nossa reapreciação(…)”.
À parte do abate de árvores, fica ainda por esclarecer a veracidade dos pressupostos que deram sustento às referidas candidaturas a fundos comunitários destinados a programas ambientais visando a descarbonização das cidades, sabendo-se que tanto a Figueira da Foz como Buarcos convivem de perto com grandes manchas arbóreas, enquadrados numa larga e extensa frente oceânica, batida por constante brisa marítima (o mar, um produtor de oxigénio por excelência), onde a intensidade do tráfico rodoviário é de expressão diminuta, acrescido ao facto das áreas a intervencionar, assegurarem, desde há muito, a tão desejada e propalada mobilidade suave, seja ela pedonal ou velocipédica.
Fica pois a ideia que o objectivo das referidas obras, não é pela necessidade das mesmas (existem zonas da cidade e do concelho bem mais carenciadas), mas antes, servem para alimentar egos ciosos de protagonismo e, ao mesmo tempo, garantir uns milhões que satisfaçam clientelas, onde é perceptível o encarecimento inútil dos respectivos projectos, através de abates despropositados de árvores saudáveis ou na deslocação de rotundas já existentes para meia dúzia de metros mais ao lado.
Os governantes locais defendem-se, arguindo pela necessidade daquelas obras, legitimando-as com base na sua aprovação por unanimidade no anterior mandato e que as mesmas foram sufragadas nas últimas eleições autárquicas.
Como se aprova uma obra quando o próprio responsável máximo pela governação local (seu autor) vem admitir publicamente que não a conhece em concreto?
Muito menos se pode concluir que tais obras foram objecto de sufrágio, não só porque os eleitores, pelas razões acima expostas, também as desconhecem e(não menos importante) porque cerca de 60% do eleitorado da zona urbana do concelho nem sequer compareceu às urnas.
Dos 40% votantes, foram menos de 20% aqueles que votaram no partido vencedor.
Dir-se-ia, caso a abstenção gozasse de representatividade politica, esta teria sido a grande vencedora das últimas eleições, relegando o partido que actualmente ocupa o poder para a bancada da oposição.
Não questionando, de forma alguma, a legitimidade do último resultado eleitoral, onde desde a primeira hora assumi o mandato para o qual fui eleito na oposição (gesto que certamente não teria sido seguido pelo meu oponente caso tivesse perdido as eleições), a presente reflecção surge apenas como um apelo a uma postura de maior humildade e respeito por parte de quem governa, pois como a história da humanidade o vem demonstrando ao longo dos tempos, as maiorias, por si só, não são donas da verdade absoluta.

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