The Day After - O dia seguinte

O filme que gelou o mundo em 1983, no auge da guerra fria, e que contava a história de um cenário pré-durante e pós nuclear, onde a humanidade, como a conhecíamos, desaparecia para sempre. Um exercício de futurismo que conseguiu, na altura, assustar o suficiente os norte-americanos (e um pouco os soviéticos) para que tivessem mais tento na forma como estavam a conduzir as políticas externas para uma escalada nuclear.

Olhando agora um pouco para o nosso micro-cosmos, o nosso concelho, afiguram-se como sempre vários cenários. Interessa-me sempre o que trará mais retornos futuros para as próximas gerações. Sim. Daqui a alguns anos.

As verdadeiras políticas estruturais não se esgotam em 4, 8 ou mesmo 12 anos, mesmo fazendo as coisas certas e bem feitas (as nossas velhas amigas eficácia e eficiência). Não basta tomar decisões. Temos que tomar as decisões correctas.

Mas tomar uma decisão correcta acarreta sempre outros custos. O custo da “oposição”. Por melhor que se tomem, por melhores impactos que tenham, há sempre daquelas “melgas” chatas, que nos incomodam no pico do calor, que picam como tudo.

Daí que a melhor forma de estar em processos de tomadas de decisões é a consulta popular. Não a consulta do populismo. Ouvir as pessoas, registar as suas opiniões, validar as suas motivações e tomar a melhor decisão possível tendo em conta essas condicionantes. Para mim isto é fazer política à séria. Enquanto o cidadão não estiver de forma efectiva, no centro da governação, tudo o que se diga não passará de palavras ao vento. Sendo esta uma terra tradicionalmente ventosa… nada me admira.

Preocupa-me o “Day After” do concelho. Preocupa-me o “Month” e “Year After” Outubro de 2017. Por um motivo simples.

Nos últimos 10 anos (pelo menos) não vejo qualquer estratégia percebida para resolver os reais problemas do concelho. E não falo de concertos, festas, festivais e afins. Falo mesmo do que pode ser estrutural. Medidas de longo-prazo. E que a população tenha a efectiva noção de que se está a trabalhar neles.

Há uma falta de comunicação extrema entre eleitos e eleitores.
Há uma dessincronização abissal entre a realidade e o que se faz neste micro-cosmos.
Há um desajustamento entre as nossas mais valias endógenas e o aproveitamento que estamos a fazer delas.
Trabalha-se bem para a conjuntura mas pessimamente para a estrutura.

Urge debater de forma pragmática alguns dossiers críticos, mas mais importante urge resolver a questão da ABSTENÇÃO e mais crítica o “VOTO ÚTIL”.
Políticos e Povo estão claramente de costas voltadas. Por alguma razão é! Desistiram.
E essa desistência empurra sempre para a frente (de 4 em 4 anos) o futuro. E nisto, perdemos 10 anos, no mínimo.
Estaremos preparados para perder outros tantos?

Um pequeno exemplo (mesmo ínfimo) do que uma equipa orientada para o desenvolvimento económico e crescimento de emprego pode fazer. E falo de RH especializados. Experiências de “ouvir falar”, “ver fazer”, “ter ideia de que…” ou mesmo de ler as revistas Exame e Executive Digest… não contam!

A criação de um ecossistema empreendedor e este, por sua vez ligado a ‘hub’s’ nacionais e internacionais, com ligações a centros de saber, em determinadas áreas pré-determinadas poderão, em pouco mais de 12 meses ter resultados/retornos fantásticos a nível de crescimento económico do tecido empresarial local. E isto pode ser aplicado a QUALQUER SECTOR, primário incluído...

Apesar de começarem por ser micro-empresas, e em número reduzido, o “pulo do gato” deste tipo de iniciativa é escalável no tempo e no espaço criando economias crescentes em efeito “explosão”, tornando os locais de implementação autênticos santuários “must visit”, centros multi-culturais, metrópoles de conhecimento. Veja-se o exemplo das Startup Lisboa e Braga.

Olhando para a realidade actual alguém acha que há capacidade para induzir a criação de empresas de rápido crescimento, que trabalham em diferentes mercados e tem alto impacto na economia local pelas mais-valias que trazem às cidades (Workshop’s, Investidores, Summit’s, etc…? Estas cidades tem DENTRO da própria autarquia os motores para o desenvolvimento destas sinergias.

Não crítico, mas muito importante, o líder (quem comanda as “tropas”) tem que ter uma inequívoca visão estratégica focada no longo prazo, mas lateralizada para todas as oportunidades que o Concelho tem pela frente não se percam.
E... NÃO estamos a aproveitar nem 1/10.
A reinvenção do marketing, a nova “Data Orientation” ajuda-nos na tomada de decisões rápidas e orientadas para objectivos bem definidos. Isso não quer dizer que a criatividade fique em segundo plano, mas que combina-se a intuição ao embasamento.

Mito? Palavras caras?
Não. É a realidade empresarial do mundo “lá fora”. É o que estamos a perder.
É o que o concelho necessita como de pão para a boca!
Todas as outras estratégias precisam de um rápido crescimento económico com a consequente regeneração humana.
O resto virá por ajuste, via outras estratégias.
É tão “simples” que até parece complexo.

 

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