"Tou tiste!"

Morreu o nosso Zé Pereira!
Estamos destroçados!
Durante mais de dez anos, ele encheu de alegria o nosso despertar com a forma calorosa e grata como dizia à vida: "Bom Dia!"
"Epitafiei" assim: " Um ser tão pequenino e tão gentil que nos enchia o coração."
É a vida! É a vida na sua total magnitude..., "bordada" pela certeza, certa, certíssima, infalível, da morte certa, certíssima de indubitável certeza!
Conformado, triste, doído..., fui, para trocar as voltas ao pensamento e ludibriar o sentimento, ver as notícias. Apenas consegui ler duas, as outras apaguei-as. Diziam as que li:
-"...os mísseis da Coreia do Norte (leia-se desnorte) podem matar 2,1 milhões de pessoas no Japão!"
-" ...no conflito armado verificado no Congo e na República Centro Africana a violência sexual contra as mulheres é usada como arma de guerra!"
Fugiu-me o pensamento! Afastei de mim aquele cálice a transbordar fel, mas continuei com o pensamento agarrado àquele Livro que, em determinada passagem, mais propriamente, em Atos 17: 26 (Bíblia; Novo Testamento; Livro da Atos dos Apóstolos; Capítulo 17 e Versículo 26), referindo-se a Deus, diz: "E de um só sangue (algumas traduções dizem carne) fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra..."
Será?!!! - interroguei-me em venal(venoso) pecado.
Será possível que, alguém que chora a morte natural dum passarinho, possa ter a mesma raiz, possa ser do mesmo sangue (da mesma carne) daqueles que têm coberto a terra com tanta dor, morte, ódio, sangue derramado, ganâncias, vaidades desmedidas e tantos outros inarráveis "atos"?!?...
Dizerem-me, que sou feito do mesmo sangue (carne) que eles, é o equivalente a escarrarem-me na ALMA! Já não digo, escarrarem-me na cara, porque para que isso aconteça, basta-me ver televisão ou ler os jornais!
Cesare Lombroso em 1835 desenvolveu uma teoria (muito cara à Escola do Positivismo no Direito Penal) que defendia que o homem criminoso tinha determinadas características físicas e craniofaciais e, que a sociedade nada podia fazer para modificar esse inato, porque num tempo próprio, esse inato, acabaria por despontar naturalmente. Perante esta teoria, desenvolvida na sequência da dissecação de inúmeros cadáveres e doutras observações "científicas" de centenas de criminosos, poder-se-ia, antever cientificamente, quem viria a ser um criminoso...
Eu era jovem, imaturo, intelectualmente ainda muito mais árido e raso do que agora... e, apesar disso, logo rejeitei tal teoria. Continuo a rejeitá-la, com a mesma convicção com que aceito aquela máxima que diz que: a exceção confirma a regra. Tudo isto, para dizer que, de facto, a experiência da vida me tem mostrado que existem certos traços, -isto não é ciência-, que não enganam...
Eu, não sou igual! Eu, não sou da mesma "massa"! Eu, não quero, sequer, que alguém possa admitir tal coisa! Para mim, isso é um insulto! Isso, é uma facada de morte! Repito! Eu, não sou feito a partir da mesma "carne" e não corre nas minhas veias o mesmo sangue que corre nas veias de certa "gentalha" que Deus, - não consigo alcançar porquê!-, achou razão para pôr no mundo!
Eu sofro com a morte natural dum passarinho!
Eu sou como o arminho, esse bichinho que prefere morrer, a ter que sujar a sua imaculada pele branca! Também prefiro morrer, antes de chegar a saber que um desses tresloucados e "lombrosianos" que governam o mundo, liquidaram milhões de pessoas duma assentada.
Eu, repudio o mal! Eu, repudio: touradas; caçadas; lutas de cães; lutas de galos; boxe; corrupções, insanas ganâncias e vaidades e muito, muito mais...
Quedo-me a pensar: - «se eles não têm cientificamente as mesmas características, se não têm as mesmas medidas craniofaciais..., têm, têm com toda a certeza, o mesmo ímpeto, têm com toda a certeza, o mesmo "clic" psicológico...
Perdoa-me Deus! De vez em quando, sou obrigado a discordar de Ti. «- Espera aí, Walter!!! Será que esta, foi mais uma invenção dos homens para atirar com as culpas para cima Dele?!?» Fico a pensar...
O meu "mundinho", aquele "mundinho" em que vivo, aquele "mundinho" que construo à minha volta, aquele "mundinho" que amo, ficou mais vazio e mais triste porque, morreu: " Um ser tão pequenino e tão gentil que nos enchia o coração."

Escrito no meu perfeito juízo!

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