Transportes, realidade ou ficção?

Há muito que o assunto dos transportes é ventilado no concelho, porém nunca vi este tema a ser debatido com o merecido relevo.
Constatamos facilmente as condições precárias e obsoletas em que algumas paragens de autocarro se encontram, nomeadamente nas freguesias – não urbanas.
Recordo que maioritariamente essas mesmas paragens servem jovens e idosos, pelos quais a autarquia tem obrigação de respeitar. Contudo, neste meu texto de opinião de hoje focarei apenas os jovens por motivos óbvios e muito em especial a questão da rede de transportes escolares.
Coloco questões sobre as quais todos devemos reflectir.
Independentemente de cores partidárias, é aceitável um concelho como o nosso ter uma rede de transportes que não permita ao jovens fazer o concelho de norte a sul e regressar a casa no próprio dia?
Invoco agora um caso concreto, mas que reflecte o quotidiano de tempos livres para um jovem residente na freguesia do Bom Sucesso: este não conseguiria sair de casa da parte da manhã, ir à praia do cabedelo assistir a uma prova de surf ou até mesmo uma aula dessa modalidade, pois necessitaria de mais de 24 horas para o efeito.
Mas infelizmente o pior cenário é quando chegamos ao período escolar, compreendido entre segundas e sextas feiras. Um jovem de uma freguesia não urbana, para além de chegar atrasado à maioria das primeiras aulas do período da manhã, fica privado de praticar algum desporto que disponível apenas na cidade, uma vez que o regresso a casa será inexistente.
Agora, excluindo este cenário anteriormente descrito, convido os leitores a fazer uma análise. Um jovem que acorda duas horas mais cedo que os “privilegiados” residentes no centro do concelho/cidade, que fica inibido de usufruir do concelho em que reside, que depois de chegar a casa mais tarde quando já tinha saído mais cedo, a ter de fazer os seus deveres escolares, a ter de jantar, tomar banho e conviver com a sua família nuclear. Questão: terá este miúdo(a) tempo para as horas de sono recomendadas? Sem esquecer que a OMS fala em 8 a 10 horas necessárias para jovens em fase de crescimento e desenvolvimento físico e intelectual.
Isto só espelha a falta de políticas para a juventude, espelha ainda mais a preocupação constante com medidas “para Inglês ver”, no âmbito da juventude, por parte da autarquia.
Infelizmente, vejo-me obrigado a questionar qual será a função do Conselho Municipal da Educação, dada a inércia perante este e outros assuntos do interesse dos jovens do concelho.
Impõe-se uma última questão: o pelouro da Juventude será um tema que pesa/conta na gestão camarária do actual executivo?

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