"Uma mão cheia de nada!"

Com esta frase lapidar: “Uma mão cheia de nada!”, fechou-se um recurso interposto a mando dum "poderoso ricaço”, destinado ao levantamento das penhoras cautelares sobre património imobiliário avaliado em “apenas” oitenta milhões de euros”.
Afinal tem-se vindo a apurar e muito mais se virá a apurar ainda, que são muitas mãos cheias, demasiadas mãos cheias, demasiado cheias de intolerável corrupção, entre outras coisas mais… que por aí grassam com abundância.
Ouço frequentemente dizer que a justiça está doente. Está! De facto está até muito doente, nomeadamente, pela forma como actualmente é produzido o seu sangue, ou seja, pela forma como são produzidas as leis e, também, pelos sítios e pela quantidade em que é produzida.
Chegámos a uma situação em que muitas das leis não são produzidas por motu-próprio pelos parlamentos, instituições e órgãos competentes, mas sim, a rogo ou por imposição dos lóbis. Depois, elas são candidamente aprovadas com as necessárias formalidades e pelos respectivos órgãos, nos locais competentes e insuspeitos. Finalmente, já revestidas desta legitimante capa adornada de borlas vistosas, cravada com todos os efes-e-erres, elas, essas leis de alguns e em proveito de poucos, ganham a legitimidade universal e passam a ser ficticiamente as leis de todos e para todos, apesar de sabermos serem apenas de alguns e para benefício de poucos. Depois de terem ganho legitimidade universal e depois de se terem cumprido os prazos da Vacatio Legis (se houver lugar a esses prazos) elas fazem finalmente justiça ao brocardo DURA LEX SED LEX (a lei é dura mas é lei).
Mas..., (há sempre um mas!…,) quem também está muito doente, mas mesmo muito doente, são os actores da justiça, são os aplicadores e os executores do Direito, são os "fazedores" daquilo a que pomposamente chamam "JUSTIÇA" - essa senhora, cuja deusa nos é apresentada com olhos vendados porque ela é tão velhaca que nem quer ver aquilo que não lhe convém!
Constacto que há pessoas chocadas por terem, finalmente, descoberto que há sentenças compradas. Que grande admiração!!! Lúcios Augustus Rufus Áppios, pretor romano (juiz) fazia-o aberta e descaradamente e assinava-as da seguinte forma: "L.A.R.Appius".
Em https://www.lexico.pt/larapio/, podemos ver o Significado actual de Larápio: n.m. 1. (Informal) Vigarista, ladrão ou rapinante; pessoa que rouba. (Etm. de origem obscura); São sinónimos de Larápio: gatuno, gaudério, ladrão, ocioso, rapace, ratoneiro, vadio, vagabundo, vigarista.
Lúcios Augustus Rufus Áppios ("L.A.R.Appius") fazia ás claras aquilo que outros fazem ás escondidas, felizmente, poucos, quero crer!!!. Ainda assim, "L.A.R.Appius", pretor assumidamente corrupto -apetece-me dizê-lo- parece "simpaticamente corrupto", uma vez que, com conhecimento público e geral, este ladrão, este vigarista, adequava as suas sentenças aos inequívocos "pagantes", tal como hoje!
Há dias, um "habitué" duma das nossas televisões, um "Opinion Maker", um "lava cérebros" com muita escola..., debitava a sua habitual "filosofia rançosa", a sua "ciência barata" a sua "fraseologia" do género daquela a que os brasileiros simpaticamente apelidam de "conversa para boi dormir...", debitava essa "verborreia indecente", esse "bláblá a metro", quando acerca dos problemas do mundo da justiça, aquele personagem, aquele actor judicial disse entre muitas outras "alarvidades" que a corrupção na justiça existe porque os juízes ganham mal.
Confesso que fiquei pasmado. Concordo que se tomarmos por bitola um juiz escrupuloso, um daqueles que trabalha efectivamente (e que graças a Deus são a grande maioria) e se compararmos o seu salário com o salário e as regalias dos gestores públicos e não públicos e o salário e regalias de certos políticos, então sim, eles estão escandalosamente mal pagos, todavia, gestores públicos e não públicos e políticos não podem servir de exemplo nem de termo comparação, porque há salários que são indecentes, imorais, rapaces e porque eles não parecem viver neste país, que tem o salário mínimo inferior a seiscentos "aéreos", não falando das pensões muito inferiores ao "subsídio de funeral" (o que dá uma ideia franca das prioridades, pois o cheiro da decomposição dos mortos é insuportável, ao passo que, o sofrimento dos vivos...) parece outrossim, que eles vivem na estratosfera com os adequados e convenientes salários e regalias estratosféricas onde não há alcavalas que bastem.
Mas..., - cá está outra vez o intrometido mas..., -, retornando ao raciocínio daquele "senhor iluminado", pergunto: " Qual será o salário e regalias condignas necessárias -subsídio de renda incluído- para que um juiz que aufere mais de 3.000,00€ base por mês e que dessa forma garante uma reforma quase equivalente, perguntava, qual será o salário e regalias condignas necessárias para um juiz não ser tentado a deixar-se corromper?"
Vou dar-vos um exemplo em que a "Dura lex sed Lex" sendo dura, não é igualmente dura para todos: vejamos! Se eu auferir um salário de 3.000,00 €/mês e pagar uma renda habitacional de 2.500,00 €/mês e ainda pretender um Pópó que acarrete uma outra renda mensal de 500 €, a financeira ou financiadora diz-me que não! Não posso porque a minha "taxa de esforço" não comporta, mas..., (irra, já é embirração!) a do meritíssimo, pelo visto, comportava...Viu-se!...
Recentrando o raciocínio!
Aquele "senhor iluminado" que lá do varandim do prédio ou da torre de privilégios onde se refugia, não vê o sofrimento nem ouve o ranger de dentes em que vive a maioria da população portuguesa, especialmente os idosos reformados, os sem voz, os titulares de direitos virtuais, direitos bem alinhadinhos e arrumadinhos na ornamental e progressista Constituição Da República Portuguesa. Á Sua Excelência não dói, como me dói a mim, ver a pobreza digna, a pobreza escondida, a miséria encapotada, a vasculhar os caixotes do lixo das grandes superfícies à cata de alimentos que pereceram no prazo, mas que pela graça de Deus haverão de matar a fome e não haverão de matar o esfomeado necessitado.
"Senhor iluminado" este é o país que o senhor e muitas centenas de milhares de gentalha pensante igual a si, sem escrúpulos e irmanados nos mesmo propósito, têm vindo a construir e que preservam a custo sem remorsos nem piedade! Estes pobres, estes excluídos, pagam os poucos bens a que têm acesso, ao mesmo preço e com a mesma moeda que vocês! Então?! Caro "iluminado" uns ganham pouco, e mesmo assim, ganham seis vezes mais que aqueles que tem de sobreviver com o salário mínimo... que aqueles que há mais de vinte anos não vão ver um cinema nem provam as doces pipocas?
Ademais..., sempre direi que ninguém é obrigado a ser futebolista, político, polícia, médico, juiz ou advogado, mas todos, todos sem excepção, são obrigados a serem honestos, a serem profissionais condignos e merecedores do pão que comem e a querer comê-lo apenas na justa medida.
Todas as profissões têm os seus "espinhos", têm as suas provações e as suas delicadas recompensas. A profissão de juiz tem alguns "espinhos" grandes, bem grandes, naquilo a que à probidade concerne, nomeadamente: ser um cidadão exemplar; justo; recto e honesto. Até porque não é juiz quem quer, mas...(irra!) quem é juiz não pode, não pode, não pode mesmo, ser mundano! Tem de ser forçosamente probo! Diz o "Livro da Sabedoria": "Não te sentes na roda dos escarnecedores", nem com eles comungues! Digo eu, isto deveria ser sabedoria jurisprudencial.
Portanto, "iluminado, iluminadíssimo", isto não é um problema de vencimentos, de maior ou menor salário como a sua tacanha mentalidade monetarista advoga. Larápios sempre houve, há e haverá e eles são por natureza incontentáveis, não há dinheiro que vede a sua ganância! Larápios caçam-se, castigam-se e excluem-se... quando há justiça!
Isto está tudo trocado, está tudo baralhado. Muita gente, demasiada gente tida por boa gente perdeu a tramontana, perdeu a ética, perdeu a vergonha ou nunca a tiveram... vá-se lá saber... Sei! Isso sei, sei que vivo num país onde abundam impunemente demasiados "portuguesi"1

*Este texto foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

Post Scriptum: É por estas "habilidades" e muitas outras mais que o tal holandês com um nome difícil de pronunciar e muito agradável de esquecer nos enxovalhou e se recusou a pedir desculpas. Pois é! Pois é... nós pomo-nos a jeito e depois não queremos nos tratem por "portuguesi" ou que nos considerem os "Kafras" da europa. Ah! Também nunca disse o nome do tal "iluminado". Fi-lo intencionalmente, não quero nada com a justiça deles porque ela é forte com os fracos e fraca com os fortes!
1- "Portuguesi" é uma expressão italiana que em traços largos e gerais se aplica aos que querem usufruir de algo sem pagar, que se refere a quem recorre a esquemas para obter vantagens indevidas e imerecidas... ela passou a existir quando um rei português deu um golpe a um Papa, "golpe" esse, relacionado com uma Bula Papal.

 

COMENTÁRIOS

ou registe-se gratuitamente para comentar.
Critérios de publicação
Caracteres restantes: 500

mais

QUEM SOMOS

O «Figueira Na Hora» é um órgão de comunicação social devidamente registado na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Encontra-se em pleno funcionamento desde abril de 2013, tendo como ponto fulcral da sua actividade as plataformas digitais e redes sociais na Internet.

CONTACTOS

967 249 166 (redacção)

geral@figueiranahora.com

design by ID PORTUGAL