uma prelúdica famulatória | Coisinhas

-Já me tiraste 5 minutos de sono e eu queria passá-los a sonhar contigo. Vou ter com o ancião da vila, aquele que fica na parte mais a sul do gau. Preciso de saber o que de concreto tenho a fazer para não me esquecer tanto de te esquecer.
O ancião, o belo sorridente “Tristão” encontrava-se (como sempre) sentado à sombra de um Dragoeiro (“encontrei uma bolinha muito pequena e pareceu-me uma semente. Plantei com muito cuidado e em vez de nascer uma árvore, nasceu um Dragão. Ele era frágil e muito curioso, tinha um grande coração. Levei-o para a minha escola. Passou o dia na minha sala e ainda não lhe dei nome! Mas vou continuar. Somos iguais. Quando ele chora parece correr um riacho. Conhecê-lo foi a melhor sensação até hoje. Pode não ser parecido comigo por fora, mas por dentro é! Porque em mim também vive um Dragão.” Rosa e Maly) com os pés lívidos num frustre com choro quente, uma mão cheia de sal e umas quantas despersonalizadas gotículas de azeite in decente.
Este, o “Tristão” era conhecido como o primeiro e último titular de toda a sabedoria não nobre e não vã de todo o condado.
Porém, ninguém percebera nunca muito bem porquê e como. Como é que ele fazia para saber tanta coisa, “coisinhas”, uns diziam que era pura sabedoria onírica, outros afirmavam que era por gostar de apanhar no tempo a sua “seca”, lendo a sua “folhagem” e pondo de parte toda a "ramagem".
Ao ver o rapazinho, tira os pés do comportamento, da terapêutica, acabou ali aquele momento.
Começava agora outro.
-Muito bom dia caro senhor, em primeiro lugar quero pedir desculpa por estar a chateá-lo…
-Não peça, o que você passou, o que teve de andar até chegar a mim é que devia alguém perdoar a alguém, porém, essa tarefa não é para mim nem para si(m).
-Como assim? Pergunta-lhe o rapazinho.
-Esqueça e lembre-se do porquê de estar aqui.
-Vim ter consigo porque tem fama...
- Alto! -responde o ancião- a fama é um mero produto ou acessório de algum tipo de beleza ou má decência existente no sus(tento) de um qualquer ser, e eu tenho tudo feio, quer ver? Olhe aqui para os meus pés. Está por ventura a chamar-me indecente?
-Mas o senhor sabe tudo...e eu preciso de me inteirar sobre alguns todos e tantos tudos da minha vida, por favor ajude-me…
-Desculpe, mas não o posso ajudar, já me cansei hoje, só amanhã, venha à mesma hora, talvez eu possa não responder, mas fazê-lo ver para onde tem de se arrojar.
O balde, sem que o rapazinho desse conta já estava mais perto dele.
-Mas senhor ancião, amanhã pode ser tarde demais.
E repete a súplica milhares de vezes, sem voz nem culpa, como nós o fazemos, por vezes.
Nisto, o ancião enerva-se, levanta-se, deixando as mãos quase livres, agarra com força o pescoço do rapazinho e enfia-lhe a cabeça na água do balde deixando-o a sufoco. O outro, meio atrapalhado só dizia enrolando a água com a língua “Eu gosto de ti, eu gosto de ti” ... e, quanto mais dizia, mais o ancião lhe fazia engolir a “água suja”, típica de qualquer tratamento. Quando deixou de ouvir o “gosto de ti”, tira a cabeça do rapaz do balde e diz-lhe - Quando tiveres tanta necessidade de saber como tiveste agora de respirar saberás as respostas para as tuas perguntas, mas nunca saberás tudo, isso é matéria para “pessoas outras”.
O rapaz agradece humildemente, entrega todo o seu jovem corpo ao caminho de regresso, cheio de tanto não o saber, sem isso e com isso a "saber", reduzindo todas as suas fulguras numa única frase:
-Já sei porque me esqueço sempre de me esquecer de ti, sabes eu gosto de ti.
Gosto de gostar de ti. Podes tirar-me sempre 5 minutos, ao que alguém responde:
- O amor é assim, amor é assim?
-O rapazinho cheio de principiante sabedoria responde: " amor é o que se faz com ele", ao acabar a frase leva um beijo de "menina gigante", sendo ela gigante por ele a amar tanto assim.
-Amo-te, não queiras mais de mim.

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