Vivo intensamente

Vivo intensamente na minha solidão,
encurralada pelas muralhas de sonhos
que transponho através da leveza dos pensamentos
pendurados nos meus sorrisos indecifráveis.

Vivo intensamente,
porque consigo escutar a sinfonia dos sorrisos,
só e em silêncio,
sossegadamente!

Vivo intensamente,
porque consigo ouvir e entender
o que dizem as palavras amarradas pelo olhar.

Vivo intensamente porque consigo ouvir os olhos.
Oiço a sua linguagem sem palavras,
aquela com que beijam,
amam,
abraçam,
e até matam...,
com a imobilidade do silêncio.

Vivo intensamente quando fecho os olhos,
e a minha alma se aquieta no barulho do silêncio
que me ensurdece os ânimos exaltados.
Então…
ela baila desaustinadamente ao som de acordes sem som,
ela baila alegremente,
baila embalada pela música do silêncio que só ela escuta.

Nessas alturas, a minha alma vive intensamente
no silêncio da força dos desejos que me obrigo a calar!
Nessas alturas cruzo-me muitas vezes
com aqueles muitos...,
tantos…,
demasiados até…,
que se negam em cada sonho que não vivem!

Nessas alturas…
esbarro naqueles que se atraiçoam em cada desejo,
que por cobardia deixam morrer,
e que propalam na sua insensatez
frases lindas e ideias que se tornam ocas,
porque as afogam na inércia da indecisão.

Porque vivo intensamente,
os meus os pensamentos raramente são pesados,
nem são densos do pessimismo
que os afunda no lodo tenebroso do lado doentio da mente
viscosa que nos mente e,
porque vivo intensamente,
também sei..., que somos nós que lhe damos o poder
que ela revela tão devastadoramente.

Vivo intensamente quando em silêncio
assisto às tempestades da minha alma
e não me atemorizo com os seus relâmpagos e trovões,
mas porque vivo intensamente,
sei que as maiores e mais tenebrosas tempestades,
são aquelas que acontecem no seu profundo silêncio,
e que a devastam e a arrasam sem ruído.

Vivo intensamente quando encaro de frente,
com ganas de sobreviver e vencer,
os incêndios devastadores,
que me queimam os sentimentos,
que me queimam a vontade e a alegria de viver
e que as minhas lágrimas são incapazes de os apagar,
e que só se extinguem quando já não há nada para arder.

Vivo intensamente,
quando consigo escutar a sinfonia dos sorrisos
embalada pelo ritmo do silêncio,
tocada e confessada com as palavras arrasadoras do olhar.

Vivo intensamente quando a pouco e pouco
sinto perdidos todos os meus quereres
que se fundem e confundem
misturados na papa amolecida de mil pensamentos,
sem saber onde começam uns e onde acabam os outros,
acossados pelas tenebrosas tempestades
que no silêncio da minha alma
me devastam e arrasam sem ruído,
mas que não me quebram,
porque vivo intensamente!

 

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