Cheias no Mondego: Moção de repúdio ao ministro Matos Fernandes «chumbada» em reunião de Câmara

Carlos Tenreiro e Miguel Babo, vereadores eleitos pelo PSD, apresentaram hoje em reunião de câmara uma moção de repúdio às declarações do ministro do Ambiente.
Recorde-se que João Pedro Matos Fernandes, aquando das cheias do Mondego que afectaram grande parte do concelho de Montemor-o-Velho, defendeu em dezembro passado que “vamos ter de nos adaptar aos recursos que temos. Aldeias têm de saber que estão numa zona de risco. Paulatinamente, as aldeias vão ter de ir pensando em mudar de sítio porque não esperamos que esta capacidade que temos possa vir a crescer”.
A moção foi chumbada pela maioria socialista, com a abstenção de Ricardo Silva (PSD).
A declaração ao ser proferida por um responsável máximo da governação do país “demonstra uma total irresponsabilidade, revelando-se infeliz, inoportuna, despótica e de tom alarmista, não só desnecessário como totalmente desajustado”, referem os vereadores adiantando que “se alguém pode e deve mudar, é o próprio ministro: mudar de atitude, mas sobretudo mudar de vida porque, uma vez mais deu prova cabal da sua incapacidade para o cargo que desempenha”.
Na opinião dos autarcas, “o total despropósito das recentes declarações do ministro Matos Fernandes, por muito que não sejam levadas a sério, promoveu um sentimento acrescido de insegurança no seio das populações atingidas pelas cheias, as quais, já por si, têm vivido momentos de grande preocupação e angustia” sendo que “de um ministro, em momentos como aqueles que se viveram nos últimos dias com as cheias do Mondego, esperam-se palavras de apoio e de conforto mas, dadas as suas funções específicas, especialmente, espera-se competência, capacidade de resposta e visão para ser capaz de antever e preparar o futuro digno das capacidades técnicas do século XXI”
“No caso do nosso país, e em particular no que refere às populações que habitam o Vale do Baixo Mondego, desde sempre e ao longo de séculos, geração após geração, sempre souberam conviver e lidar com a questão das cheias, guardando consigo um registo duma luta estóica e de defesa na preservação das localidades onde habitam, com recursos sempre escassos, numa batalha de vida, entendida como expoente máximo da sua identidade histórica e cultural”, refere, Carlos Tenreiro e Miguel Babo.
“O ministro trata as populações como caseiros, que têm de deixar as suas casas. Um ministro que se devia demitir depois das declarações que fez. Isto é uma questão política, se fosse um ministro do PSD estávamos todos aqui a criticar”, considerou Miguel Babo. Para Carlos Tenreiro, ficou a garantia de que “perante um discurso de arrogância, primeiro está a nossa terra, a nossa gente e depois os senhores do Terreiro do Paço”.

Apesar de optar pela abstenção na votação, Ricardo Silva (o terceiro elemento da vereação social-democrata) recorda que “sempre que há inundações no Baixo Mondego, no abastecimento de água na zona urbana e sul do concelho, surgem sempre problemas com o canal de rega onde é feita a captação da ETA de Vila Verde, isso é uma preocupação que diz respeito à Figueira da Foz. O ministro esteve mal e a emenda que fez foi pior, pois alarma as populações e não adianta quais as medidas e apoios do governo, para eventualmente concretizar essas alterações. Foi mais um bitaite habitual do ministro”.
Ricardo Silva defendeu, contudo, que “o teor desta moção não é um assunto para uma reunião de Câmara, sobre uma situação que não diz respeito à Figueira da Foz. Pura demagogia estarmos a debater uma matéria de outro concelho nesta sessão. É matéria para debate de política nacional”.
O também líder do PSD local questionou “qual tem sido o papel da CIM sobre a gestão do Rio Mondego, na prevenção de risco de cheias e na requalificação e reabilitação da rede hidrográfica do rio Mondego?”
No que concerne à Figueira da Foz, diz Ricardo Silva, “a Câmara Municipal devia enviar um apelo ou uma recomendação ao governo sobre captação de água, para a ETA de Vila Verde, que garantias que dá, ou ajuda à Figueira da Foz, para uma solução alternativa para a captação de água” recordando que “em 2017, o PSD, para garantir «um desenvolvimento sustentável» do Rio Mondego, propôs a criação de uma «entidade gestora», similar ao Alqueva, com as autarquias, a administração central (nomeadamente a Agência Portuguesa do Ambiente) e representantes das actividades que beneficiam do rio, como é o caso da Agricultura, Turismo, Energia Eléctrica e Indústria do Papel”.

Em resposta, o presidente da autarquia, Carlos Monteiro, explicou que a votação desfavorável da moção “é uma decisão ponderada e não porque o ministro é do governo socialista”.
O edil, apoiado nesta tomada de posição pelos vereadores Ana Carvalho e Miguel Pereira, disse ainda que a referida moção não tem acolhimento visto tratar-se de um assunto, de uma declaração que diz directamente respeito ao município de Montemor-o-Velho. Para Carlos Monteiro, Matos Fernandes “é um dos melhores ministros (do Ambiente) da União Europeia”.

Legenda: O ministro do Ambiente (à direita na imagem) visitou o concelho de Montemor-o-Velho com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

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