Reunião de Câmara: PSD quer esclarecer «negócio» das dragagens de areias no Mondego

Erosão costeira, assoreamento e segurança da barra. Foram estes os motivos de longas explanações, em reunião de Câmara de ontem, quer por parte dos vereadores da oposição quer pelo presidente da autarquia.
Ricardo Silva (PSD) começou por afirmar que “todas as explicações são vagas e nada esclarecedoras”, propondo ao presidente da Câmara que promova uma reunião de trabalho, à porta fechada, com a Administração do Porto, Capitania, Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Universidade de Aveiro (responsável pelo estudo da barra) e representantes da pesca e SOS Cabedelo “para chegar a entendimento e explicação cabal”. João Ataíde disse nada ter a opor, desde que as referidas entidades acedam ao pedido.

“ISTO NÃO É UM «REGABOFE», A REGRA É A DEFESA DO PATRIMÓNIO”

Miguel Babo (PSD) questionou o modelo da escolha de arquitectos responsáveis pelos demais projectos paisagísticos em curso.
No caso da requalificação do Cabedelo, segundo Ataíde, tratou-se de um ajuste directo (ao arquitecto Hipólito Bettencourt) “por sugestão do coordenador do PEDU no âmbito de uma lista de arquitectos paisagísticos, em função das necessidades, que pudessem apresentar candidatura no âmbito do plano estratégico”.
A bancada social-democrata voltou à carga sugerindo a contratação de “arquitectos conceituados e conhecedores da cidade”.
Carlos Tenreiro (PSD) defendeu que “quem lidera o Cabedelo não conhece a matriz, a essência e tudo o que representa o Cabedelo e aquela área. Temos de ter algum cuidado e perceber quem contratámos porque pode comprometer o futuro com as ideias que vende, o currículo só por si não justifica a escolha”.
“Isto não é um regabofe, a regra é a defesa do património”, disse ainda Tenreiro dizendo ao presidente que “ficou mal dizer que queria fazer uma nova Troia. Não pode dizer isso porque a Figueira merece respeito e consideração”.
João Ataíde tomou a palavra para explicar ainda que “o projecto de intervenção na praia em Buarcos surge no decorrer de um concurso de ideias e foi escolhido o arquitecto ganhador, Ricardo Vieira de Melo. Achámos interessante e desenvolvemos a ideia”.

“PARECE QUE HÁ INTERESSES PARA QUE SE MANTENHAM ESTE TIPO DE DRAGAGENS”

“Não pense que lá por ter trazido o ministro – e que fez muito bem - está o problema resolvido. Espero que não signifique que pense que isto agora está nas mãos do governo. Um autarca deve estar em cima do acontecimento de forma constante. Na questão da barra, já tinha falado com o almirantado, estilo isto não é connosco, daqui lavo as minhas mãos”, criticou ainda Tenreiro defendendo que no caso da erosão costeira, “gostava que se tomassem medidas enérgicas. Os senhores estão ir no engodo, na questão dos fossos”.
Na sua opinião, “a cubicagem de sedimentos de areia não vai resolver o assunto, lamentamos o dinheiro que se está a gastar. Para trás (outras gestões camarárias) há culpas e grandes, mas nestes próximos 4 anos vai ser a sério. Vemos o presidente de braços caídos e entregue a esta solução, dos fossos, que pode voltar a zero com um volte de mar”.
E neste particular, Tenreiro deixou uma promessa: “vamos denunciar publicamente todos os valores que andam a gastar com estas operações de dragagem, parece que há interesses para que se mantenham este tipo de dragagens, um sorvedouro de dinheiro muito grande”.
Ataíde respondeu explicando que “pelas indicações que temos, os gastos ficam aquém do indicado pelas comissões técnicas”, sugerindo ao PSD que solicite os elementos junto da Administração do Porto.

O ESTUDO DO BY-PASS

Miguel Babo e Carlos Tenreiro voltaram a defender a ideia de um by-pass (transposição de areias) enquanto solução mais viável para combater a erosão costeira a sul do Mondego.
“A Câmara tem um papel importantíssimo e até agora não tem dado um passo em frente. A postura mais correcta era tomar uma posição e ouvir os que os outros têm a dizer. Com o estudo (do by-pass) dissipamos as nossas dúvidas”, disse Tenreiro.
Segundo Miguel Babo, o referido estudo tem um custo a rondar os 100 mil euros, sugerindo à autarquia a encomenda do mesmo.

“VENHA DE LÁ O ESTUDO”
“A única questão em que faço finca-pé é na defesa de protecção de pessoas e bens. Aceitamos o estudo do by-pass, do tubo ou outra solução. Mas a verdade é que tempo não pára e reclamamos que seja feita continuamente a transposição de areias aumentando a cubicagem. Por isso, nada a opor que se faça estudos, mas entretanto não abdicarei que se faça uma política permanente de desassoreamento, é isso que estamos envolvidos e o nosso compromisso”, sustentou João Ataíde afirmando ainda que “se porventura o estudo concluir que a solução mecânica é mais fácil, estamos aqui para confortar. Mas venha de lá o estudo. Seremos os primeiros a acompanhar a melhor solução no rácio custo-benefício, mas não fico à espera que se faça o desassoreamento”.
Reforçou a posição garantindo que “não abdico de ter posições e de as defender com convicção. Faço-as de boa fé e em defesa da cidade. Pagar o estudo não faz sentido, não é das nossas competências, até porque se fosse ao Tribunal de Contas, chumbava liminarmente. A autarquia aceita a melhor solução, mas não pode estar a pagar o estudo”.

(Jorge Lemos)

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