Alexandre Quintanilha semeou dúvidas na Figueira da Foz

O consagrado cientista e actual presidente da Comissão de Ética para a Investigação Clínica e da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, entre muitos outros cargos, Alexandre Quintanilha, esteve na Figueira da Foz segunda feira passada para, no Auditório Municipal e perante cerca de oito dezenas de alunos das escolas secundárias Joaquim de Carvalho e Bernardino Machado, falar dos «Desafios atuais da biomedicina».
Para assinalar o Dia Mundial da Ciência e o Dia Nacional da Cultura Científica, Alexandre Quintanilha escolheu uma mão cheia de questões que, ao longo de cerca de uma hora, prenderam a atenção dos estudantes.
“Quero que saiam daqui mais confusos do que entraram”, disse. E conseguiu. Seleccionando cinco notícias atuais, o cientista colocou os estudantes a reflectir sobre os valores que se cruzam quando a ciência abre novas portas, por exemplo, à medicina: da grávida em morte cerebral que deu à luz, dois meses depois, um bebé; à criança que nasceu com material genético de três pessoas, depois de o embrião ter tido as mitocôndrias com doença genética substituídas por mitocôndrias saudáveis de outra mulher, passando pela mulher tetraplégica a que a biónica possibilitou, pelo pensamento, fazer de um robot uma extensão de si mesma e um substituto dos membros inativos; pela possibilidade de editar o ADN (técnica CRISPR/CAS9) para substituir «letras» defeituosas do genoma humano ou a tecnologia Big Data, que permite que um algoritmo «conheça» uma pessoa, e as suas prováveis decisões na vida, pela análise dos likes no Facebook . “Tudo isto está a acontecer agora e poderá fazer parte do nosso dia-a-dia em dez anos”, explicou.
Queremos todos estes «progressos»? Podemos? Devemos? Sem nunca avançar com respostas, Alexandre Quintanilha lembrou que, ao longo dos séculos, muitas novidades, das vacinas ao anticoncepcionais, dos antibióticos à reprodução e à morte medicamente assistidas, suscitaram acesos debates, sendo hoje, no entanto, realidades diariamente concretizadas, mesmo se, em alguns temas, o debate se mantém.
“Estamos a fazer de deuses? Serão algumas possibilidades comparáveis à eugenia?”, questionou.
“Mas se, na esteira de John Rawls, promovemos vantagens e recursos ambientais, como educação ou nutrição, às pessoas, por que não promover recursos e vantagens genéticas, de eliminação ou protecção perante doenças?”, contrapôs.
Para prolongar a espertina mental dos estudantes, o cientista partilhou uma lista de livros interessantes para ocupar as férias de natal e desafiou-os a pensar de forma diferente e a observar o mundo com novos olhos.
A sessão terminou com um período de perguntas - muitas - e respostas - quase sempre na forma de novas perguntas. “O que mais me assusta, sempre, são as certezas”, concluiu.

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