«Informação na era da pós verdade» em debate no Auditório Municipal

Com entrada livre, o colóquio «Informação na era da pós verdade» contou com as participações dos jornalistas Sandra Felgueiras e José Manuel Portugal para o debate do tema abordado pelo investigador e ex-jornalista Bruno Paixão, no seu mais recente livro, «Prime Time is my Time – Crónicas sobre comunicação. jornalismo, política e cultura». A moderação esteve a cargo do vereador da Cultura do Município da Figueira da Foz, António Tavares.
Foi a Bruno Paixão que coube, na introdução, lançar o mote para a conversa sobre as questões da distinção entre a verdade noménica (matéria-prima) e fenoménica (informativa), realçando o peso da perspetiva e da perceção na construção da notícia e apartando esta realidade de outra, bem distinta, que entrou no léxico atual sob o «guarda-chuva» da «Pós-verdade» ou das «Verdades Alternativas».
“Vivemos tempos hostis à verdade”, admitiu o investigador, que abordou a influência das novas formas de comunicação, nomeadamente nas redes sociais, na instrumentalização dos factos, quando não na apresentação de mentiras, para esta nova situação, que veio mudar o paradigma da propaganda, tanto nos seus agentes como nos seus custos, difusores ou propósitos.
José Manuel Portugal reforçou a ideia da “pós-verdade como filha do avanço tecnológico” mas reclamou metade da paternidade para o instinto do ser humano que, mais propenso a falar mal do que bem, a acreditar no crime do que na inocência, muito levianamente contribui para a difusão de boatos e mentiras.
“O contraditório é outra das vítimas mortais destes tempos de pós-verdade”, acrescentou, defendendo o “juízo crítico” e o “fact-checking”, ou confirmação dos factos, dos cidadãos como única forma de evitar, para já, a difusão de notícias falsas.
Sandra Felgueiras, por seu turno, falou sobre a importância da sociedade valorizar a credibilização do jornalismo e dos jornalistas, preferindo a substância ao ruído e a investigação, com tempo para o contraditório, ao imediatismo. “Nunca o jornalismo foi tão importante, digno e necessário”, concluiu.
O colóquio terminou com um período de debate com a plateia sobre os perigos das pós-verdades e das redes sociais enquanto fonte de «notícias».

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