Livro: «A correspondência de Maurício Pinto»: traduz “a vida na Figueira da Foz na primeira metade do século XX”

A Misericórdia – Obra da Figueira, o Rotary Club da Figueira da Foz e o Ginásio Clube Figueirense apresentaram ontem (dia 22 de outubro), no Casino Figueira, o livro «A correspondência de Maurício Pinto – 1910/1957».
Uma obra da autoria de Maria Mafalda Viana, editada pela Associação Cultural Ephemera, de José Pacheco Pereira.

Conforme explicou Pacheco Pereira, a Ephemera, com cerca de 450 associados e perto de 150 voluntários, dedica-se “a salvar o espólio para memória futura”. Em relação a Maurício Pinto, esclareceu que parte do trabalho já se encontra devidamente tratado e inventariado, uma recolha que reflecte a personalidade deste comerciante da Figueira da Foz e homem da oposição.
Carimbos, notas, publicidade de alguns dos produtos que vendia, vinhetas, programação de cinema e teatro, documentos da oposição, fotografias, manuscritos, publicações rotárias, discursos, litografias de empresas e blocos de papel de carta são apenas alguns dos artigos devidamente recuperados e salvaguardados e que “podem ser consultados pelos investigadores da História portuguesa”.

Mafalda Viana começou por explicar que esta obra agora apresentada “não é um livro escrito por mim, é uma organização de correspondências” e que se revela numa recolha com cerca de mil cartas que traduz “a vida na Figueira da Foz na primeira metade do século XX”, ou seja, “também a vida das pessoas que fizeram o país ao longo de décadas”.
Na opinião da autora (que leu parte dessas mesmas correspondências, com destaque para Cardoso Marta), “fazer a história da Figueira da Foz passa por (consultar) todas estas correspondências”.
A historiadora abriu um parêntesis para afirmar que este livro – e a história com ele trazida a público – não apresenta dados novos, com excepção a uma carta de Cardoso Marta, nos anos 40, onde menciona a criação do Museu de Arte Popular em Lisboa.
“Maurício Pinto viveu uma vida inteira centrada na sua paixão pela Figueira da Foz”, resumiu Mafalda Viana.

Em representação do Ginásio Clube Figueirense, Alice Mano-Carbonnier recordou a ligação de Maurício Pinto e este clube centenário “que nasceu da prática de fazer o bem” e “da cultura do bem fazer”.
A dirigente trouxe a público “uma presença ímpar, continuada e activa em mais de 50 anos, Maurício Pinto foi sem dúvida um homem do Ginásio”.

Para Luís Nuno Gaspar, “Maurício Pinto foi um grande homem, rotário e governador rotário que viveu a dar muito de si sem pensar em si”.
Para o representante do Rotary Club da Figueira da Foz, que Maurício Pinto fundou, “o livro honra a memória de uma figura notável da nossa história”.

Pela Misericórdia – Obra da Figueira, Joaquim Barros de Sousa traçou o paralelismo entre um ambiente cultural de enorme valor que se vivia à época, nesta primeira metade do século XX e que “se foi perdendo”.
O actual provedor da Misericórdia recordou o papel relevante desempenhado pelo então também provedor Maurício Pinto (durante 12 anos) em diferentes domínios, entre eles o da acção social e associativismo.
A instalação do primeiro equipamento de raios X, um laboratório de análises clínicas e um dispensário anti-tuberculose foram recordados por Joaquim de Sousa como uma pequena parte dos projectos abraços por Maurício Pinto.
Quanto à Ephemera, destacou a mais valia da actividade em rede produdiza pela associação, “um orgulho cultural para o país”.

«10 anos aos papéis»
O Arquivo-Biblioteca Ephemera tem mais de 200 mil títulos de livros e brochuras, dezenas de milhares de periódicos, vários milhares de cartazes, posters, imagens, faixas, outdoors, panos, cartazes artesanais de manifestações e de protesto, fotografias, milhares de objectos, centenas de milhares de panfletos, folhetos, tarjetas, milhares de emblemas e pins, dezenas de milhares de autocolantes, mais de 6 quilómetros lineares de estantes e armários.
Estão publicadas online mais de 24 mil pastas de documentação, com mais de 100 mil imagens e textos.

(Jorge Lemos)

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