Opinião: E o desporto de formação?

Parados desde 6 de Março de 2020 , os jovens deste país veem-se impedidos de fazer o que mais gostam, praticar desporto.
O desporto tem na sua génese um complemento social, desportivo e sobretudo mental bastante grande , tanto os jovens como os menos jovens vêm no desporto um “escape” dos seus problemas diários .
A DGS em conjunto com o Governo permitiram bastantes actividades, sobretudo no verão, entre elas as tauromáquicas e políticas.
Não se compreende este ataque feroz ao desporto de formação, não se entende mesmo como é que permitem que o desporto sénior, desde a primeira liga até aos distritais, seja jogado mas aqueles de quem principalmente os clubes precisam para a sua sobrevivência, sejam impedidos de jogar. É caso para perguntar, que país é este?
Milhares de jovens estão hoje em casa a ver nas televisões o desporto sénior a quem continua a ser permitido (e bem) a prática desportiva, e aos jovens não, meramente porque falta de conhecimento de causa da Dra. Graça Freitas.
Segundo os últimos estudos de vários jornais nacionais, cerca de 80% dos jovens desistiu do desporto, o que põe em causa a sobrevivência dos clubes, principalmente daqueles que dependem praticamente das receitas de mensalidades, bar e bilheteiras dos jogos, como é o caso do meu clube.
O desporto em Portugal não é só o desporto profissional, que gera milhões. O desporto amador é aquele que está mais próximo das populações. É aquele que centenas de pessoas dependem na sua vida pessoal, desportiva e em muitos casos económica. Sim económica, porque não é só no desporto profissional que existem pessoas dependentes financeiramente, também no desporto amador elas existem, em menos quantidade é certo, mas não são mais nem menos que os profissionais.
Estou à vontade nesta matéria, até porque sou militante do partido que Governa actualmente o nosso país, mas também sou director de um clube que no passado foi profissional mas hoje, em virtude das circunstâncias, é amador, a NAVAL.
Não me conformo com estas injustiças, porque sei o quanto está a ser difícil para centenas de clubes como o meu, sobreviverem diariamente à crise provocada pela COVID 19, mas esta mesma crise deixa de ser pretexto para o desporto formação quando são permitidas outras actividades de contacto, entre elas, por exemplo, as manifestações políticas, seja na rua, seja em congressos.
Este é apenas o meu testemunho, e não só. É, também, um apelo àqueles que nos governam para que de uma vez por todas, olhem para o desporto como um bem essencial à vida das pessoas.

Gonçalo Oliveira
Dirigente da NAVAL 1893

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