Figueirense Rogério Jorge distinguido com prémio na área da Física dos Plasmas

“É oficial!! Os vencedores do prémio 2020 EPS PPD PhD Research Award atribuídos pela Sociedade Europeia de Física foram anunciados e estou extremamente feliz por ser um dos contemplados!”
É assim que, na sua página pessoal, Rogério Jorge dá conhecimento do importante prémio que lhe foi atribuído na área da Física dos Plasmas.

Depois de fazer os seus estudos na Escola Cristina Torres, Rogério Jorge foi para o Instituto Superior Técnico, em Lisboa, onde se doutorou em Engenharia Física. Já na qualidade de Investigador de pós-doutoramento na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos da América, destaca-se na área dos novos doutoramentos em Física dos Plasmas. Este prémio será um forte incentivo na sua carreira de Investigador.

"O prémio reconhece pesquisas verdadeiramente notáveis associadas a um doutoramento no campo da física de plasma. São concedidos até quatro prémios anualmente a jovens cientistas dos 38 países europeus associados à Sociedade Europeia de Física."

O trabalho de Rogério Jorge é sobre uma das questões mais importantes enfrentadas pela comunidade de fusão nuclear, a saber, a dinâmica turbulenta do plasma em reatores de fusão, na periferia do tokomak (dispositivo experimental projectado para confinar plasmas de alta temperatura numa região com a forma de um toróide, usando para isso campos magnéticos intensos), onde a temperatura do plasma diminui de valores tão altos quanto dez vezes a temperatura no núcleo do Sol (150 milhões de graus Celsius) para a temperatura ambiente da parede.

A Física dos Plasmas é uma das áreas bastante activas da física (já há várias décadas). Nas estrelas, a matéria está na forma de plasma (como a maior parte da matéria "normal" (bariónica) está nas estrelas, o estado de plasma é o mais abundante no universo).
A tese não é sobre o plasma nas estrelas, antes sobre regimes que existem num reator de fusão nuclear (neste tipo de reator, núcleos de elementos leves ao fundir-se libertam energia). Assim, a relevância do trabalho é na área da física da fusão nuclear e, portanto, na questão da produção de energia por esta via.
A tese propõe um modelo para a dinâmica de plasmas em regimes relevantes para a física da fusão nuclear (a fusão nuclear é o processo através do qual as estrelas, como o Sol, obtêm a sua energia). A fusão nuclear é investigada há várias décadas, existindo diversos reatores de fusão nuclear, mas todos de natureza experimental. Ainda não é possível utilizar, em termos práticos, a fusão nuclear para produzir energia eléctrica (a investigação em fusão nuclear começou há cerca de 100 anos). A fusão nuclear, ao contrário da fissão nuclear (as conhecidas centrais nucleares), é um processo que quase não produz resíduos radioactivos, nem tão pouco emissão de gases de efeito de estufa (é uma energia limpa). Todavia, o processo de fusão é muito difícil de ser implementado em termos tecnológicos. O "novo projecto" de fusão nuclear (de natureza experimental), o ITER em Cadarache (França), começou a ser construído há cerca de 13 anos e prevê-se que a construção fique concluída em 2025 e as primeiras reacções de fusão nuclear comecem em 2035.

(Clube de Jornalismo do Agrupamento de Escolas Figueira Norte com a esclarecimentos e a colaboração do professor Carlos Portela)

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