A minha mão está paralisada!

A minha mão está paralisada, ela está triste e está desanimada em cheio, como cheio de tristeza também está o meu coração vazio de alegrias há semanas.
Chora-me silenciosamente o coração desesperançado que ordena calma à minha mão que há semanas teme e hesita em brotar letras tremidas e negras de desinspiração e emoção.
A minha cabeça há semanas diz não!
Não!
Não é possível!
Mas não é por isso gritar que os meus olhos voltaram a ver sonho e poesia com a ponta dos meus dedos paralisados há semanas.
Não!
Não é medo!
É a falência da minha inocência na crença nesta humanidade! É a desilusão sofrida e doída causada pela cegueira virulenta desta desumanidade doente que na dor da reclusão começa a descobrir há semanas que afinal não manda nada, nem tão-pouco desmanda na cegueira endinheirada, porque em nada tem mão bem-mandada!
Antes tenho há semanas as minhas mãos desesperadas e emperradas sem alegria nem emoção, porque as minhas mãos somente escrevem as ordens que reconhecem do coração.
Sim!
Sim, desse coração que bate, bate, bate há semanas sem parar e sem se desobrigar da razão para poder voar e sonhar.
Hoje pesa como chumbo a razão que nada manda, nem tão-pouco desmanda nada também, ela pesa agora muito mais, muito mais, muito mais há semanas!
Essa razão rasa de emoção, da tal emoção que é o alimento do coração que teima em bater, bater, bater como um alazão com as suas belas crinas despenteadas e soltas ao vento livre.
Esse vento igualmente desobrigado da razão e que agora, desde há semanas, já não é leve porque o prende o chumbo despenteado e pesado desta desumanidade cega e sem emoção.
Este coração mais solto e leve que o alazão que corre livre ao vento com as suas belas crinas despenteadas e que há semanas eram livres e desobrigados da razão, agora também não voa há semanas nos seus sonhos perfeitos, nos seus sonhos tão leves que nem asas requerem, porque eles são límpidos e suaves como se fossem conduzidos pelas graciosas mãos do maestro que aconchegam carinhosamente os invisíveis sons em obediente harmonia, mas as mãos do maestro também estão tristes e paralisadas há semanas.
Também as minhas tristes e vazias pobres mãos estão paralisadas há semanas, porque os meus dedos erráticos não veem aquela beleza que os alimenta e liberta em majestoso e fantasioso voo, porque o meu coração está chumbo pesado de pesado de negro triste há semanas, há semanas, há semanas… na esperança que tudo mude e a desumanidade se humanize de uma vez por todas e nunca mais volte a haver desumanidade cega pela endinheirada ganância… para que nunca, nunca, nunca mais pese como chumbo triste a “desrasão” cega de humanidade desta desumanidade virulenta pelo dinheiro tão cega!

* Este texto, foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (des)Acordo Ortográfico.

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