Aquela pedra da minha infância

Deixei sozinha a pedra da minha infância,
para correr atrás das ilusões da vida.
Fugi de mim, corri muito longa distância.
Ela ficou socada pelas ondas de vinda e ida.
Fugi de mim, corri muito longa distância.
Desgastou-me o tempo e não me encontrei.
Somei dores, ilusões, decepções e ânsias.
Contrito e desiludido a ela regressei.
Ela ficou socada pelas ondas vindas e idas
maré após maré numa espera comovente,
mordida pelas ondas nos dias de fúrias e iras
quando fugi de mim e corri a eito somente.
Vim despedir-me dela antes da partida derradeira.
Ela por lá ficará. Pétrea, altiva e resignada,
batida pela água mole que a tornará areia
pelas marés cheias e marés vazas desgastada.
Ela ficou socada pelas águas vindas e idas,
mordida pelas ondas más e implacáveis.
Elas batem-lhe forte, como em mim bate a vida.
Partes de mim ficarão nela inconsoláveis.
Ela ali ficará socada pelas ondas vindas e idas.
Estou de partida, brevemente ela o saberá.
As pedras sofrem na espera e nas despedidas.
Igual saudade de mim, como eu dela, sentirá!
NB: Podemos visitá-la na praia da Figueira da Foz, próximo da esplanada do Tucano.

Walter Ramalhete.
Figueira da Foz, 2 de Setembro de 2022.
Este texto foi escrito segundo os termos da ortografia anterior ao recente (Des)Acordo Ortográfico.
"Copyright 2016, Walter Ramalhete. Todos os direitos reservados."

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